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SUV Corolla Cross tem a vibe do sedã

Concorrente de Fiat Argo Trekking e Renault Stepway

Paixão à primeira vista geralmente é um excelente começo para uma relação avassaladora. O que não quer dizer que ir se encantando aos poucos, analisando qualidades e comportamentos, não leve a um amor duradouro. Dito isso, não espere olhar para o novo e tão aguardado SUV da Toyota, o Corolla Cross, e ter uma vontade irresistível de levar um para casa. Mas faça o test-drive e eu duvido que o desejo não venha. Mesmo com o preço inicial salgadinho de R$ 139.990.

O utilitário-esportivo feito em Sorocaba, interior de São Paulo, não chega em um bom momento do mercado. As vendas estão ladeira abaixo no Brasil diante da crise. A demora da Toyota em finalmente ingressar em segmentos de SUVs menores também não ajuda na missão do carro. Que tem um rival de muito prestígio e líder do segmento, o Jeep Compass, e que vai ganhar em breve o moderno Volkswagen Taos. Mas se vale o dito ‘antes tarde do que nunca’, pelo menos a marca entrega um produto sólido, que oferece tudo o que um cliente espera de um SUV médio.

Há porte, espaço, equipamentos, uma boa dirigibilidade e até tecnologia híbrida. Só não há tração 4X4, mas também não é o objetivo do carro. A versão avaliada foi a XRE (R$ 149.990) que, segundo a Toyota, responderá por 65% das vendas de 40 mil carros por ano esperadas. Ela vem com o motor 2.0 flexível que gera até 177 cv a 6.600 rpm e 21,4 mkgf a 4.400 rpm com etanol.

São bons números para levar os 1.420 kg do carro, mais ocupantes e bagagens. Eles poderiam até dar mais emoção ao carro, mas o câmbio automático do tipo CVT, que simula 10 marchas, é totalmente voltado ao conforto. Para progredir com mais velocidade é preciso afundar o pé no acelerador e deixar ele lá. Não chega a deixar o carro lento e o deixa pronto para ultrapassagens com a devida descida de giro, mas não é uma performance que empolga.

Em compensação, as suspensões, mesmo levemente diferentes das do Corolla, dão o mesmo show que no sedã. McPherson na frente em ambos, no SUV Cross ela é com eixo de torção atrás, contra a multilink do três volumes. A decisão envolve custos, obviamente, mas também uma questão técnica. Como o SUV, mesmo sem 4X4, pode ser colocado em situações de off-road, a suspensão multilink, mais sensível, poderia dar mais manutenção.

Mesmo no Corolla, a suspensão multilink não seria tão necessária, devido ao desempenho mais comportado do carro. Mas do ponto de vista de marketing, era preciso ficar em pé de igualdade com seu rival Honda Civic.

Mas o importante é que não houve nenhuma alteração perceptível de desempenho. O Corolla Cross é ótimo de curvas e melhor ainda na absorção de buracos e imperfeições. Deixando claro que o quesito conforto segue firme na linha. Nem mesmo o ângulo de ataque do carro muda muito. É de 21 graus, ante 20 graus do sedã, o que mostra que a plataforma TNGA dos dois carros praticamente não sofreu alteração.

Indo para dentro do carro, o espaço para motorista e passageiro é muito bom e para as pernas e cabeça, atrás também. Mas há um problema. A Toyota colocou um console nas portas traseiras, com direito a porta-copos e tudo, que ficou muito invasivo. Para levar crianças e cadeirinhas, ótimo, mas para adultos ele ‘empurra’ a pessoa para o lado, limitando muito o conforto de um terceiro passageiro no meio da fileira.

Por Diego Ortiz/Agência Estado

 

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