Identidade Indaiatubana 06/05/2016

por Eliana Belo

GILDO PINTO

Hermenegildo Pinto, mais conhecido como Gildo Pinto foi um indaiatubano da noite, segundo informações. Exímio trombonista e saxofonista e também admirável músico, foi regente por diversos anos do Bando da Lua, um grupo musical que tocava jazz nas animadas noites indaiatubanas, formado também por Benedito na flauta, Anacleto no saxofone e Ariovaldo na bateria, que depois acabou cedendo o lugar para o sobrinho Gilberto quando resolveu tornar-se vocalista.

MULTITALENTOSO
Gildo Pinto ganhava a vida como pedreiro, marceneiro e carpinteiro, Mas gostava mesmo de arte: também era pintor, muitas residências de Indaiatuba “antigas” possuem um quadro seu na parede. Foi ele quem pintou o quadro em alusão ao primeiro sistema de tratamento de água em Indaiatuba e chegou a presentear o genial Nabor Pires de Camargo com um de seus quadros. Outros privilegiados com suas pinturas foram a Professora Tachinardi e o Doutor Pedro Maschietto. Ele chegou a reproduzir quadros de Almeida Júnior. Pouco antes de falecer, dedicou-se também à escultura, tendo feito uma banda inteira de massa e de barro.
Em um de seus textos, Archimedes Prandini narra que quando o prefeito de Indaiatuba era o Major Alfredo Camargo Fonseca, este quis levá-lo a São Paulo a fim de estudar, mas quem faria o Gildo ir? Ele iria abandonar sua querida Indaiá? “ _E assim por este recanto que o viu nascer, perdeu grande oportunidade”.
Além de músico, pintor, compositor e escultor, Gildo foi, quando jovem, jogador de futebol primeiramente no antigo time Corinthians local, que acabou por fazer uma fusão com o time do Indaiatubano, formando o atual Esporte Clube Primavera, sendo um dos primeiros jogadores do ‘Fantasma da Ituana’. Seu irmão Silvio também fazia parte de uma das primeiras composições do time.

PRESÉPIO
Indaiatuba tinha um hábito bastante singelo, narrado por cronistas desde o início do século passado: montar presépios privados que na verdade recebiam visita pública como o mais famoso deles, montado por Silvio Ferreira do Amaral que o fazia em sua casa na esquina do Largo da Matriz Nossa Senhora da Candelária, em frente da residência número 1, onde hoje tem um prédio de apartamentos. Gildo Pinto fazia o seu com miniaturas elaboradas com esmero, em movimento: tinha procissão saindo da igreja, bandinha, homem tirando água do poço, animais em movimento, pastores, homem lendo jornal, casalzinho de namorados, tudo formando um cotidiano moderno na cena onde os personagens principais eram o Menino Deus no berço, Nossa Senhora e São José, ladeados pelos Reis Magos.

FESTA POPULAR
No Carnaval ele organizava a festejada Banda do Boi, com boizinhos e outros bichos artesanalmente produzidos com os cabeções que era a festa da petizada. Tinha girafa, galo, elefante e cavalo, todos em desfile, animados com as músicas de sua autoria abrilhantando essa festa popular.
Hermenegildo Pinto foi literalmente um agitador cultural de sua época. Quando faleceu, deixou viúva a senhora Angela Gemim Pinto e os filhos Gilberto, casado com dona Rosalina C. Nascimento, Luiz Adalberto, casado com dona Irene Benedetti e Edite, casada com Olavo Ribeiro Soares.

MAIS HISTÓRIAS
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