Identidade Indaiatubana 16/12/2016

por Eliana Belo

O racismo e nossa incapacidade de lidar com o tema

Quando um tema é polêmico, um dos caminhos para tentar buscar vertentes para reflexões são os números, estes isentos de subjetividade, quase sempre falam por si e não precisam de análises tão complexas. Estatísticas recorrentes mostram que: (1) a grande maioria dos encarcerados em nosso país pertence à raça que o IBGE chama de negra (seja negro preto ou negro pardo); (2) a maior parte dos jovens que passam nos vestibulares das melhores universidades públicas não são dessa raça e essa escassez fica mais evidente quanto mais concorrido o curso for (e por consequência, mais elitizada a carreira é). Para complicar essa estatística que demonstra uma situação real, uma outra, que ilustra ‘percepção’ quanto a um tema relacionado, demonstra a seguinte realidade: (a) questionados se eram racistas, a maior parte dos entrevistados respondeu que ‘não’; (b) questionados se conheciam pessoas racistas, a maior parte dos entrevistados respondeu que ‘sim’; (c) perguntados se os racistas que conheciam eram pessoas próximas ao círculo de convivência, a maior parte dos entrevistados novamente respondeu que “sim”, apontando parentes, parceiros ou amigos próximos.

Não sou racista mas conheço quem é
Como dito, os números falam por si: os negros estão em situação de maior vulnerabilidade social e a sociedade tem profunda dificuldade em discutir o racismo, uma vez que todo mundo conhece alguém que é racista, mas diz que não é. Há uma profunda negação da existência do problema: ele existe, mas não está em mim, está em todas as outras pessoas; ninguém se reconhece como portador de preconceito advindo de raça e pior ainda do que isso, para negar ou disfarçar (para si mesmo) assume um discurso de igualdade ou de acusação: _ Somos todos iguais! Ou então: _ Tem preto que é mais racista do que branco! E por aí vai.

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