{"id":38236,"date":"2026-05-21T20:48:39","date_gmt":"2026-05-21T20:48:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/?p=38236"},"modified":"2026-05-21T20:48:41","modified_gmt":"2026-05-21T20:48:41","slug":"espaco-ali-a-penuria-da-critica-literaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/espaco-ali-a-penuria-da-critica-literaria\/","title":{"rendered":"ESPA\u00c7O ALI: A Pen\u00faria da Cr\u00edtica Liter\u00e1ria"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/ali-foto.jpg\"><img width=\"78\" height=\"99\" src=\"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/ali-foto.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-38237\"\/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p>Nunca \u00e9 demais enfatizar que a cr\u00edtica, desde que feita em termos construtivos, \u00e9 de suma import\u00e2ncia para lapidar as arestas de algo criado ou a criar. Ela nos d\u00e1 a dimens\u00e3o exata de que este algo sair\u00e1 perfeito, sen\u00e3o semi-perfeito, nunca carente do seu significado maior.<br>No trato, aqui, sustenta-se a quest\u00e3o da cr\u00edtica liter\u00e1ria que, nos tempos atuais, n\u00e3o se v\u00ea e nem se ouve com a frequ\u00eancia de estar desejosa de t\u00e3o somente construir e n\u00e3o desestruturar no seu conte\u00fado ou concep\u00e7\u00e3o.<br>Tempo houve (e bem no passado), que paralelamente \u00e0s obras produzidas e entregues \u00e0 popula\u00e7\u00e3o pelos meios liter\u00e1rios, havia estas cr\u00edticas, trazendo uma s\u00e9rie de advert\u00eancias ou, at\u00e9, pontos de vista na maioria dos casos, mas que serviam para que o autor pudesse se recompor ou repensar na sua coloca\u00e7\u00e3o livresca. Tudo girava com um certo olhar positivo, n\u00e3o diminuindo o conte\u00fado do trabalho, mas trazendo subs\u00eddios tais para o aprimoramento do trabalho ou algo que se deixou sem uma devida cita\u00e7\u00e3o ou explica\u00e7\u00e3o maior.<br>Assim pensando e levando-se em conta que cr\u00edticos liter\u00e1rios se raiaram nos \u00faltimos tempos, uma infinidade de obras liter\u00e1rias, jogadas com objetivos meramente mercantis, de somente ganhos, invadem o cotidiano, principalmente em obras de autoajuda, religiosidade, terror, entretenimentos variados, relatos biogr\u00e1ficos sem conte\u00fado algum, fatos corriqueiros da vida social, etc. Tudo isso, muitas vezes sem crit\u00e9rio algum, apenas \u201csnobes\u201d.<br>H\u00e1, na verdade, a falta do crivo liter\u00e1rio de cr\u00edticos verdadeiramente cr\u00edticos na acep\u00e7\u00e3o exata da palavra. Por tal significado, retiro do ensaio \u201cA pen\u00faria da cr\u00edtica\u201d &#8211; (1958), do escritor alagoano Octavio Brand\u00e3o (1896-1980), alguma coisa neste sentido: \u201cA verdadeira cr\u00edtica liter\u00e1ria e art\u00edstica tem um car\u00e1ter positivo, construtor e educador. Analisa o conte\u00fado e a forma. Investiga em que grau, em que medida, a obra reflete a vida, a luta e a realidade \u2013 em perene movimento, desenvolvimento e transforma\u00e7\u00e3o. Descobre o que existe de novo e progressista na obra abalizada. Golpeia, nela tudo quanto for velho, retr\u00f3grado, regressivo. Contrap\u00f5e afirma\u00e7\u00f5es \u00e0s necess\u00e1rias nega\u00e7\u00f5es\u201d.<br>Em nosso meio liter\u00e1rio, observa-se que h\u00e1 muitos autores, ou melhor, pseudos-autores dispostos a ganhar os louros em forma de numer\u00e1rio, jogando \u00e0s livrarias obras sem qualquer v\u00ednculo com uma cr\u00edtica honesta, concisa e respeitada, balizando o seu conte\u00fado e a forma. \u00c9 preciso que estes n\u00e3o possam dominar o mercado livresco, sob pena de incorrermos em s\u00e9rios riscos de retrocesso na nossa cultura. N\u00e3o \u00e9 porque se tenha meios financeiros para, assim, provocar uma verdadeira \u201cenxurrada\u201d de p\u00e1ginas e mais p\u00e1ginas sem conte\u00fado algum, apenas inundado o mercado de futilidades \u2013 coisas t\u00e3o corriqueiras em nossos dias.<br>Pesa-nos, sobremaneira, sentir que \u201cmedalh\u00f5es\u201d do nosso cotidiano, se proliferem com obras sem qualquer conte\u00fado, apenas por desejarem os holofotes da m\u00eddia. Contudo, gra\u00e7as aos c\u00e9us, h\u00e1, na verdade, grupos e figuras seletas que contrap\u00f5em a estas investidas, com a coragem sem precedentes. S\u00e3o autores ainda desconhecidos que estudam, trabalham e lapidam o trabalho utilizando-se da alma e do cora\u00e7\u00e3o \u2013 fatores important\u00edssimos para o aparecimento de obras grandiosas. E isto j\u00e1 se pode notar.<br>Em suma, necessitamos, nos tempos de agora, a presen\u00e7a indispens\u00e1vel do cr\u00edtico liter\u00e1rio, pois s\u00f3 assim teremos boas obras e de realce no seu conte\u00fado e na sua forma. Temos sentido que os ventos j\u00e1 est\u00e3o soprando em dire\u00e7\u00e3o deste ideal. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>*J. R. Guedes de Oliveira &#8211; Membro Honor\u00e1rio<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nunca \u00e9 demais enfatizar que a cr\u00edtica, desde que feita em termos construtivos, \u00e9 de suma import\u00e2ncia para lapidar as arestas de algo criado ou a criar. 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