{"id":7612,"date":"2016-03-25T08:21:07","date_gmt":"2016-03-25T08:21:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/?p=7612"},"modified":"2016-03-24T21:21:56","modified_gmt":"2016-03-24T21:21:56","slug":"historia-de-uma-jumenta","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/historia-de-uma-jumenta\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria de uma jumenta"},"content":{"rendered":"<p>No tempo do nascimento de Jesus, reinava em Jerusal\u00e9m o tirano e sanguin\u00e1rio rei Herodes. Conforme lhe chegara ao conhecimento, seria o rec\u00e9m-nascido Rei dos Judeus e viera usurpar-lhe o trono. Ego\u00edsta e mau, sem saber onde, nem como encontrar a Jesus, e para que este n\u00e3o lhe escapasse, mandou os soldados sacrificar, em Bel\u00e9m e no seu territ\u00f3rio, todos os meninos de dois anos para baixo. O Senhor, contudo, n\u00e3o permitiu ca\u00edsse seu Filho sob a espada do desalmado tirano e, em sonho, avisou a Jos\u00e9 do perigo e mandou-o partir com o Menino e a M\u00e3e para o Egito. Jos\u00e9 acordou a Maria e puseram-se em fuga&#8230;<br \/>\nEra uma noite fria, sem lua nem estrelas, escura como breu. Jos\u00e9, com Jesus no colo, e Maria caminhavam na fuga, atendendo ao aviso divino. A dist\u00e2ncia era longa e j\u00e1 se sentiam exaustos. Numa curva, de entre o espesso arvoredo \u00e0 orla do caminho, surgiu um vulto e vinha em dire\u00e7\u00e3o a eles.<br \/>\nA princ\u00edpio, Jos\u00e9 e Maria assustaram-se. Ao aproximar-se mais o vulto, Jos\u00e9 se aquietou e disse \u00e0 Maria:<br \/>\n&#8211; N\u00e3o temais. \u00c9 um amigo.<br \/>\nEra uma Jumenta bem nova. N\u00e3o trazia arreios no lombo, ningu\u00e9m a cavalgava. D\u00f3cil e mansa, logo se emparelhou com a Sagrada Fam\u00edlia.<br \/>\nNotando o cansa\u00e7o da esposa, Jos\u00e9 desvestiu a surrada capa e estendeu-a sobre o animal.<br \/>\n&#8211; Podeis montar sem medo, Maria.<br \/>\nA Jumenta esperou que M\u00e3e e Filho se acomodassem em seu dorso e os levou sem nenhum incidente at\u00e9 o final da longa viagem.<br \/>\nNunca mais se ouviu falar da Jumenta.<\/p>\n<p>II<br \/>\nPassaram-se trinta e tr\u00eas anos. Era a Festa da P\u00e1scoa. Jesus e os ap\u00f3stolos se dirigiam para Jerusal\u00e9m. Quando se aproximavam do povoado de Bet\u00e2nia, perto do Monte das Oliveiras, Jesus mandou dois disc\u00edpulos \u00e0 frente, com a seguinte ordem:<br \/>\n&#8211; V\u00e3o at\u00e9 ao povoado, ali adiante, e logo encontrar\u00e3o uma Jumenta amarrada. Soltem-na e a tragam aqui. Se algu\u00e9m reclamar alguma coisa, digam que o Mestre est\u00e1 precisando dela, mas logo a devolver\u00e1.<br \/>\nO dono da Jumenta nada reclamou. Ao contr\u00e1rio, sentiu-se aliviado e feliz, pois era sua inten\u00e7\u00e3o sacrificar o animal e faltava-lhe coragem. E disse-lhes:<br \/>\n&#8211; N\u00e3o precisam devolv\u00ea-la. N\u00e3o serve mais para nada. Parece mansa, mas quando algu\u00e9m tenta montar nela, salta, corcoveia e atira longe o cavaleiro.<br \/>\nComo ordenado, os disc\u00edpulos levaram a jumenta. Sem considerar as recomenda\u00e7\u00f5es do dono, colocaram-lhe mantos no dorso, e Jesus montou nela, para a entrada triunfal em Jerusal\u00e9m.<br \/>\nGrande multid\u00e3o tinha ido assistir \u00e0 Festa da P\u00e1scoa. Agitando palmas e ramos de oliveira, sa\u00edram ao encontro de Jesus, a gritar com entusiasmo:<br \/>\n&#8211; Hosana ao Filho de Davi! Hosana ao Filho de Davi!<br \/>\nIII<br \/>\nCom a divina carga nas costas, s\u00f3 agora podia a Jumenta repousar dos longos anos de sofrimentos e humilha\u00e7\u00f5es, por ser um animal pequeno e considerado in\u00fatil pela maioria dos homens. Caminhava lento, a cabe\u00e7a voltada para baixo, num gesto de humildade. Pelo caminho, por onde passava levando a Jesus, mantos e flores eram lan\u00e7ados e atapetavam o ch\u00e3o.<br \/>\nPressentindo os sofrimentos e vexames por que deveria passar o Salvador dos Homens, logo que se viu sozinha, a Jumenta fugiu do tresloucado povar\u00e9u que gritava e blasfemava, pedindo a execu\u00e7\u00e3o de um inocente e a soltura do bandido Barrab\u00e1s.<br \/>\n&#8211; Que morra Jesus crucificado! Soltem Barrab\u00e1s!<br \/>\nJ\u00e1 bem velha e sem for\u00e7as, a Jumenta sentiu ter cumprido sua miss\u00e3o na terra e chegado ao fim da jornada. Morreu num pasto \u00e1rido, sem \u00e1gua nem comida, distante do Monte Calv\u00e1rio, onde uma semana depois Jesus foi crucificado com dois famosos ladr\u00f5es.<br \/>\nMorreu aben\u00e7oada a Jumenta, porque foi o \u00fanico animal merecedor da gra\u00e7a de ser escolhido para carregar a Jesus duas vezes. A primeira, ainda nova e muito feliz, com pressa de chegar ao Egito, carregou ao Menino Jesus para fugir dos soldados que o procuravam para mat\u00e1-lo. A segunda, trinta e tr\u00eas anos depois, velha e muito triste, levou Jesus a Jerusal\u00e9m, para a crucifica\u00e7\u00e3o e morte.<\/p>\n<p>Nege Al\u00e9m<br \/>\nnegealem@uol.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No tempo do nascimento de Jesus, reinava em Jerusal\u00e9m o tirano e sanguin\u00e1rio rei Herodes. Conforme lhe chegara ao conhecimento, seria o rec\u00e9m-nascido Rei dos Judeus e viera usurpar-lhe o trono. 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