{"id":34139,"date":"2021-12-10T11:28:50","date_gmt":"2021-12-10T11:28:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/?p=34139"},"modified":"2021-12-10T11:28:56","modified_gmt":"2021-12-10T11:28:56","slug":"191-anos-origem-fundacao-e-futuro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/191-anos-origem-fundacao-e-futuro\/","title":{"rendered":"191 anos: Origem, Funda\u00e7\u00e3o e Futuro"},"content":{"rendered":"\n<p>Neste nove de dezembro de 2021 completar\u00e1 191 anos que nossa Indaiatuba deixou de ser um bairro rural de Itu chamado Cocaes \u2013 nome dado por causa da grande quantidade da palmeira indai\u00e1 &#8211; e passou a ser uma freguesia, ou seja, um local com uma capela curada e um padre fixo, com um juiz de paz e com o direito de fazer uma elei\u00e7\u00e3o para eleger vereadores para compor a C\u00e2mara de Itu. Ter se tornado uma freguesia \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o de eleva\u00e7\u00e3o religiosa &#8211; e n\u00e3o pol\u00edtica \u2013 uma C\u00e2mara Municipal com elei\u00e7\u00f5es e vereadores locais s\u00f3 ter\u00edamos a partir de 24 de mar\u00e7o de 1859, quando uma lei elevou a freguesia para vila (sin\u00f4nimo de cidade).<\/p>\n\n\n\n<p>Embora o nove de dezembro tenha sido determinado formalmente como a data de funda\u00e7\u00e3o de Indaiatuba, sua origem aconteceu bem antes. Esclarecer a origem do povoamento da cidade \u00e9 um desafio para historiadores, pois atualmente h\u00e1 car\u00eancia de mais fontes documentadas e arqueol\u00f3gicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Na tentativa de esclarecer essa origem, temos dois contrapontos.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro \u00e9 um texto bel\u00edssimo, que pode ser considerado uma cr\u00f4nica benevolente e suave para a \u00e9poca em que foi escrito, inclusive apresentando uma est\u00f3ria que \u00e9 repetida em muitas outras localidades, quando se narra a origem delas, o que nos permite categoriz\u00e1-la como, em grande parte, lend\u00e1ria. Trata-se da narrativa feita pelo memorialista Francisco Nardy Filho, que conta que certo Jos\u00e9 da Costa, no s\u00e9culo XVIII, saiu para procurar uma novilha perdida e, esgotado, teria resolvido matar a sede no Ribeir\u00e3o Votura, em cujas margens havia um pequeno povoado com o mesmo nome. Para sua surpresa, ele encontrou uma imagem de Nossa Senhora da Candel\u00e1ria e, com ela n\u00e3o m\u00e3o e orando fervorosamente, encontrou a novilha perdida. Em gratid\u00e3o, ergueu uma capelinha em homenagem a ela, onde, segundo o historiador Manuel Eufr\u00e1sio de Azevedo Marques, os moradores de Votura se reuniam todas as sextas-feiras para orarem. Considerando essas informa\u00e7\u00f5es, hoje o povoado de Votura estaria no Parque Corolla, na margem esquerda do Ribeir\u00e3o Caldeira &#8211; que nasce exatamente na frente da Toyota. No Livro \u201cIndaiatuba, sua Hist\u00f3ria\u201d Scyllas e Caio da Costa Sampaio, al\u00e9m de fazerem certas corre\u00e7\u00f5es nos apontamentos de Azevedo Marques, tamb\u00e9m afirmam que, em 1924, quando houve um desmatamento nesse local, \u201cobservou-se vest\u00edgios de diversas casas, fragmentos de lou\u00e7as, peda\u00e7os de potes\u201d e outros testemunhos, inclusive \u201cnabos de esteios apodrecidos que apontam para um arraial regularmente constru\u00eddo.\u201d De acordo com a tradi\u00e7\u00e3o oral, que carece de conforma\u00e7\u00e3o documentada, os habitantes de Votura sa\u00edram de l\u00e1 e mudaram-se para o pico de uma colina pr\u00f3xima, fugindo de uma epidemia de var\u00edola e ali constru\u00edram outra capela exatamente onde hoje \u00e9 a Matriz Nossa Senhora da Candel\u00e1ria, capela esta que foi curada (recebeu bens) por Pedro Gon\u00e7alves Meira, que \u00e9 considerado o \u201cfundador\u201d de Indaiatuba. Nas proximidades da capela (hoje Matriz) havia uma nascente &#8211; onde hoje \u00e9 a \u201cPra\u00e7a da Nascente\u201d &#8211; local relevante de pouso para tropeiros, atividade que impulsionou o crescimento de nossa cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Deixando a parte lend\u00e1ria de lado, por mais que seja bacana pensar que nossa cidade nasceu de um mito t\u00e3o singelo, encontra-se, em pelo menos tr\u00eas testamentos antigos &#8211; a men\u00e7\u00e3o a certo Jos\u00e9 da Costa Homem, o que nos permite avan\u00e7ar na descri\u00e7\u00e3o da origem do povoado de Votura, mais tarde Cocais e finalmente, Indaiatuba. Esse Jos\u00e9 da Costa Homem \u00e9, nada mais, nada menos, do que herdeiro comprovado do bandeirante paulista Domingos Fernandes (1577 &#8211; 24\u00a0de\u00a0janeiro\u00a0de\u00a01652) que, em 1610, juntamente com seu genro, Crist\u00f3v\u00e3o Diniz, fundou o povoado\u00a0de Itu, erguendo no local para devo\u00e7\u00e3o a Nossa Senhora da Candel\u00e1ria, que mais tarde se tornaria padroeira daquele (e do nosso) munic\u00edpio. Ou seja: h\u00e1, sim, comprova\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica inventari\u00e1vel que Jos\u00e9 da Costa existiu e que recebeu em invent\u00e1rio partes das terras, justamente onde hoje est\u00e1 Indaiatuba.<\/p>\n\n\n\n<p>Considerando tudo o que j\u00e1 temos sobre a origem da cidade e tudo o que est\u00e1 por ser ainda pesquisado, comprovado e divulgado, chama-nos a aten\u00e7\u00e3o o impacto que uma epidemia deu no citado arraial de Votura. Previs\u00edvel em uma \u00e9poca em que grande parte das crian\u00e7as morriam na primeira inf\u00e2ncia e pouqu\u00edssimos e privilegiados adultos viviam mais do que sessenta anos, a debandada de uma popula\u00e7\u00e3o inteira para outro local fugindo de uma doen\u00e7a \u00e9 chocante. Podemos fazer o exerc\u00edcio de imaginar o trabalho e esfor\u00e7o dos sobreviventes, em uma \u00e9poca que n\u00e3o t\u00ednhamos nada: hospitais, m\u00e9dicos, enfermeiros, rede, antibi\u00f3ticos, penicilina e nem vacina, sendo esta \u00faltima uma das principais respons\u00e1veis por elevar a expectativa de vida daquela \u00e9poca em cerca de 30 anos, uma vez que doen\u00e7as at\u00e9 ent\u00e3o graves reduziram seus impactos, como \u2013 al\u00e9m da var\u00edola \u2013 o sarampo, t\u00e9tano, poliomielite, rub\u00e9ola, catapora, diarreia por rotav\u00edrus, caxumba, coqueluche, difteria, tuberculose, febre amarela, gripe, hepatite A e B, HPV, HiB, meningite e agora, uma nova peste: a Covid19, que devastou o mundo at\u00e9 os resultados das primeiras levas de vacina\u00e7\u00e3o, quando ent\u00e3o, a esperan\u00e7a ressurgiu.<\/p>\n\n\n\n<p>Do Votura citado neste texto, passando por Cocaes e em seguida Indaiatuba, a var\u00edola e outras doen\u00e7as infecciosas sempre provocaram medo e rea\u00e7\u00f5es de confronto, sendo essas de cuidado ou tentativas de preven\u00e7\u00e3o. De transferir toda uma comunidade para a outro local at\u00e9 o advento da primeira vacina, justamente a de var\u00edola, n\u00e3o se passou muito tempo; inclusive a hist\u00f3ria da imuniza\u00e7\u00e3o ativa confunde-se com a hist\u00f3ria da var\u00edola, doen\u00e7a que n\u00e3o s\u00f3 dizimou Votura, mas flagelou a humanidade por mil\u00eanios e ceifou a vida de centenas de milh\u00f5es de pessoas ao longo da sua conviv\u00eancia com o ser humano.<\/p>\n\n\n\n<p>As tentativas de evitar as formas graves dessa doen\u00e7a remontam os primeiros s\u00e9culos. Ao notar-se que os sobreviventes de surtos de var\u00edola n\u00e3o voltavam a desenvolver a doen\u00e7a, foram in\u00fameras as tentativas de tentar provocar uma forma mais branda dessa mol\u00e9stia \u2013 a chamada varioliza\u00e7\u00e3o. Povos, como hindus, eg\u00edpcios, persas e \u00e1rabes, desenvolveram t\u00e9cnicas que inclu\u00edam inocular conte\u00fado derivado das cascas das feridas (p\u00fastulas) da var\u00edola, as quais eram mo\u00eddas e colocadas na pele ou introduzidas nas narinas. Mesmo com a comprova\u00e7\u00e3o que apenas 2% dos inoculados morriam e que alguns poucos desenvolviam as formas graves da doen\u00e7a, a varioliza\u00e7\u00e3o enfrentou oposi\u00e7\u00e3o ferrenha e mesmo ap\u00f3s o m\u00e9dico ingl\u00eas Edward Jenner ter criado \u2013 em 1796 &#8211; o que seria a primeira vacina contra essa doen\u00e7a, ainda assim havia opositores \u2013 principalmente religiosos e dos variolizadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Passados 225 anos da inven\u00e7\u00e3o da primeira vacina, o m\u00e9todo de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 basicamente o mesmo: a vacina \u00e9 produzida com parte atenuada do agente transmissor; isso aconteceu com a var\u00edola e com a Covid 19. E mesmo j\u00e1 tendo salvado bilh\u00f5es de vidas desde as primeiras doses, ainda h\u00e1 oposi\u00e7\u00e3o e resist\u00eancia ao m\u00e9todo.<\/p>\n\n\n\n<p>A indistin\u00e7\u00e3o entre opini\u00e3o\/(des)informa\u00e7\u00e3o e argumentos fundamentados e num\u00e9ricos de autoridades cient\u00edficas, levam a algumas pessoas h\u00e1 construir e divulgar pseudo-saberes que fomentam o discurso negacionista influenciando decis\u00f5es individuais que atrapalham o pacto coletivo que \u00e9 a vacina\u00e7\u00e3o em massa. Mesmo quando os \u00f3bitos diminu\u00edram com o avan\u00e7o do processo de vacina\u00e7\u00e3o e com as evid\u00eancias incontest\u00e1veis de que os n\u00e3o-vacinados produzem cepas mais perigosas, ainda assim a resist\u00eancia pueril continua, passados mais de dois s\u00e9culos. Na esfera do indiv\u00edduo, recusar a vacina \u00e9 defendido [SIC!] como resist\u00eancia ao que se entende como uma \u201cviola\u00e7\u00e3o\u201d do Estado \u00e0 inalien\u00e1vel liberdade individual. No entanto, o que se v\u00ea \u00e9 mais amplo do que isso: \u00e9 uma biopol\u00edtica (ou necropol\u00edtica?) claramente advinda do governo federal e seus apoiadores.<\/p>\n\n\n\n<p>E neste cen\u00e1rio todo, interligado por epidemias e pandemias, do ponto de vista micro, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a hist\u00f3ria de Indaiatuba que carece de pol\u00edticas p\u00fablicas do Departamento de Preserva\u00e7\u00e3o e Mem\u00f3ria para que possamos esclarecer nossas origens; mas do ponto de vista macro, carecemos de bom senso para romper, de uma vez por todas, o desrespeito \u00e0 Ci\u00eancia motivado por fanatismo pol\u00edtico que transformou a vacina em um elemento ideol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p>O que Jos\u00e9 da Costa Homem diria sobre isso, se pudesse?<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/03-largo-da-matriz-hoje.jpg\"><img width=\"800\" height=\"500\" src=\"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/03-largo-da-matriz-hoje.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-34119\" srcset=\"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/03-largo-da-matriz-hoje.jpg 800w, http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/03-largo-da-matriz-hoje-300x188.jpg 300w, http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/03-largo-da-matriz-hoje-768x480.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste nove de dezembro de 2021 completar\u00e1 191 anos que nossa Indaiatuba deixou de ser um bairro rural de Itu chamado Cocaes \u2013 nome dado por causa da grande quantidade da palmeira indai\u00e1 &#8211; e passou a ser uma freguesia, ou seja, um local com uma capela curada e um padre fixo, com um juiz &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":34118,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3,254,16,248],"tags":[6809,562,1479,6808],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34139"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34139"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34139\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":34140,"href":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34139\/revisions\/34140"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/34118"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34139"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34139"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34139"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}