{"id":34041,"date":"2021-11-19T12:03:13","date_gmt":"2021-11-19T12:03:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/?p=34041"},"modified":"2021-11-19T12:03:19","modified_gmt":"2021-11-19T12:03:19","slug":"o-que-sao-os-alimentos-organicos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/o-que-sao-os-alimentos-organicos\/","title":{"rendered":"O que s\u00e3o os alimentos org\u00e2nicos"},"content":{"rendered":"\n<h2>Al\u00e9m de n\u00e3o usarem agrot\u00f3xicos e transg\u00eanicos, normas ambientais e trabalhistas exigem mais investimento<\/h2>\n\n\n\n<p>O mercado de alimentos org\u00e2nicos \u00e9 um ramo em crescimento no Brasil e, s\u00f3 em 2020, avan\u00e7ou 30% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, movimentando R$ 5,8 bilh\u00f5es, segundo a Associa\u00e7\u00e3o de Promo\u00e7\u00e3o dos Org\u00e2nicos (Organis).<\/p>\n\n\n\n<p>A busca por uma alimenta\u00e7\u00e3o mais saud\u00e1vel e o aumento do consumo em casa por causa da pandemia de Covid-19 puxaram a alta do setor que, neste ano, deve avan\u00e7ar mais 10%.<\/p>\n\n\n\n<p>As frutas, as verduras e os legumes s\u00e3o ainda os tipos de alimentos org\u00e2nicos mais consumidos no Brasil. E, no mundo, o pa\u00eds se destaca como o maior produtor de a\u00e7\u00facar e acerola nesse modelo, diz a Organis.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o 25 mil produtores cadastrados no Minist\u00e9rio da Agricultura que est\u00e3o, em sua maioria, na regi\u00e3o Sul (40%). Em seguida, est\u00e3o Nordeste (24%), Sudeste (22%), Norte (9%) e Centro-Oeste (5%).<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos anos, feiras, vendas on-line e assinatura de cestas reduziram a dist\u00e2ncia entre esses produtores e as pessoas, aumentando as chances de encontrar org\u00e2nicos por um valor mais em conta do que nos supermercados.<br>No entanto, o pre\u00e7o continua sendo o maior limitador (62%) do acesso a esses produtos, ressalta a Organis.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por que os alimentos org\u00e2nicos s\u00e3o mais caros<\/strong><br>Existe um consenso internacional de que se paga 30% a mais por um produto org\u00e2nico em rela\u00e7\u00e3o ao convencional, diz o diretor da Organis, Cobi Cruz.<\/p>\n\n\n\n<p>E uma das raz\u00f5es para isso \u00e9 que a produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica tem uma responsabilidade socioambiental maior, que \u00e9 prevista em lei e \u00e9 fiscalizada, o que exige mais investimentos por parte do produtor rural.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de n\u00e3o usar agrot\u00f3xicos e nem cultivar transg\u00eanicos, uma propriedade de org\u00e2nicos \u00e9 obrigada a manter pr\u00e1ticas que preservem o meio ambiente e que respeitem os direitos dos trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Os agricultores que v\u00e3o trabalhar na produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica, por exemplo, precisam ter, todos, carteira assinada. E quem quer adotar o modelo tem como uma de suas obriga\u00e7\u00f5es fazer a convers\u00e3o do solo: ou seja eliminar, por exemplo, todo o res\u00edduo de agrot\u00f3xico presente ali, o que pode levar at\u00e9 tr\u00eas anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o modo de produzir n\u00e3o pode contaminar o ar, o solo, a \u00e1gua e precisa respeitar as caracter\u00edsticas sociais, culturais e econ\u00f4micas da comunidade ao redor.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas e outras exig\u00eancias est\u00e3o previstas na lei 10.831 de 2003 e s\u00e3o fiscalizadas por empresas privadas certificadoras, autorizadas e acompanhadas pelo Minist\u00e9rio da Agricultura.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA tecnologia de produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica est\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o e por isso ela ainda \u00e9 mais cara. Se voc\u00ea for comparar com produtores que n\u00e3o precisam assinar carteira de todo mundo, que n\u00e3o cuidam de Reserva Legal, de \u00c1rea de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente, tem uma grande diferen\u00e7a de custo\u201d, diz o s\u00f3cio-diretor da consultoria Agrosuisse, F\u00e1bio Ramos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Produ\u00e7\u00e3o menor<\/strong><br>A agricultura org\u00e2nica nasceu e ainda \u00e9 feita, em sua grande maioria, em pequenas propriedades, administradas, em muitos casos, por agricultores familiares.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 pequena, muito diferente das grandes lavouras de soja e milho, que geram uma enorme quantidade de alimentos, com o est\u00edmulo, por exemplo, de gr\u00e3os geneticamente modificados, que s\u00e3o mais produtivos e resistentes a pragas e doen\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>E, neste caso, a conta \u00e9 simples: quanto menor a quantidade produzida, maior \u00e9 o seu custo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUma das exce\u00e7\u00f5es, atualmente, \u00e9 o a\u00e7\u00facar org\u00e2nico. Seu pre\u00e7o \u00e9 similar ao de um a\u00e7\u00facar convencional porque tem escala. S\u00e3o grandes empresas que atuam no ramo, o que torna mais em conta tamb\u00e9m a log\u00edstica e a distribui\u00e7\u00e3o do produto\u201d, diz Cobi, da Organis.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ritmo de produ\u00e7\u00e3o<\/strong><br>Outro fator \u00e9 que um alimento org\u00e2nico, no geral, demora mais tempo para ficar pronto. Todo o controle de pragas e doen\u00e7as e a fertiliza\u00e7\u00e3o do solo s\u00e3o feitos de forma natural, por bioinsumos, que s\u00e3o microorganismos, como bact\u00e9rias, fungos e plantas.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse tipo de manejo, chamado de controle biol\u00f3gico, tem um efeito mais lento do que os agrot\u00f3xicos e adubos qu\u00edmicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra caracter\u00edstica da produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica \u00e9 que ela respeita a sazonalidade de cada alimento, ou seja, a esta\u00e7\u00e3o e o clima mais adequados para o cultivo e a colheita.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pre\u00e7o nos supermercados<\/strong><br>Por outro lado, nem sempre o que encarece o produto org\u00e2nico vem exclusivamente do campo. Al\u00e9m dos custos de transporte, tem tamb\u00e9m o pre\u00e7o que \u00e9 cobrado pelos supermercados.<\/p>\n\n\n\n<p>Em geral, as grandes redes de varejo costumam cobrar um pre\u00e7o 30% a 100% mais alto do que o valor pago aos produtores, a depender do alimento, diz Cobi.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas isso j\u00e1 foi bem pior no passado e motivo de muitos produtores do setor terem quebrado nos anos 2000, relembra Ramos, que tamb\u00e9m \u00e9 diretor-geral do S\u00edtio do Moinho, que produz org\u00e2nicos em Itaipava, no Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>No final dos anos 90, n\u00e3o existia uma cadeia bem estruturada para levar o produto org\u00e2nico para o mercado e isso fazia com que n\u00e3o houvesse um par\u00e2metro de valor.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO agricultor vendia o seu produto org\u00e2nico por um pre\u00e7o normal, mas as grandes redes de supermercados praticavam um overprice [sobrepre\u00e7o] de at\u00e9 250%\u201d, conta Ramos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCom isso, os produtores da primeira onda de org\u00e2nicos quebraram\u2026n\u00e3o aguentaram o custo que era construir essa cadeia. Isso ajudou a construir uma imagem equivocada de que o produto org\u00e2nico tem que ser muito caro. Ele \u00e9 mais caro que o convencional, mas ele n\u00e3o precisa ser muito mais caro\u201d, relembra.<\/p>\n\n\n\n<p>O barateamento dos org\u00e2nicos come\u00e7ou a acontecer, por sua vez, quando eles entraram nas feiras livres, nos mercadinhos de bairro, a partir de 2005. \u201cEm 2010, essa mudan\u00e7a j\u00e1 estava mais consolidada\u201d, diz Ramos.<\/p>\n\n\n\n<p>As alternativas foram aumentando e, hoje, o consumidor tem muito mais chance de encontrar um produto mais em conta.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m das feiras, a compra direta dos produtores passou a ser poss\u00edvel com as vendas on-line e deliveries de cestas de org\u00e2nicos, por exemplo, que cresceram muito durante a pandemia de Covid-19, lembra o Coordenador substituto de Produ\u00e7\u00e3o Org\u00e2nica do Minist\u00e9rio da Agricultura, Claudimir Sanches.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs supermercados acabam colocando uma margem maior porque o org\u00e2nico tem um selo e sabem que o p\u00fablico que compra e que entra em uma grande rede tem convic\u00e7\u00e3o de que deve consumir este produto\u201d, diz Sanches.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMas isso varia muito, de regi\u00e3o para regi\u00e3o, da proximidade com o produtor. Quando voc\u00ea tira qualquer intermedia\u00e7\u00e3o, o pre\u00e7o desse produto cai\u201d, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como tornar mais acess\u00edvel<\/strong><br>Para Ramos, os org\u00e2nicos tendem a se tornar cada vez mais acess\u00edveis com o ganho de escala, o que, na vis\u00e3o dele, passa pela entrada de grandes empresas agroindustriais no mercado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cIsso aumenta a competi\u00e7\u00e3o e a oferta de alimentos, n\u00e3o s\u00f3 de frutas, verduras e legumes. Temos hoje, por exemplo, a Nestl\u00e9 produzindo leite em p\u00f3 org\u00e2nico, a Sadia produzindo frango org\u00e2nico\u201d, diz Ramos.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma outra alternativa para aumentar a oferta de alimentos \u00e9 a uni\u00e3o de pequenos produtores e agricultores familiares em cooperativas, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a quantidade de bioinsumos no mercado \u00e9 muito menor quando comparada \u00e0 oferta de agrot\u00f3xicos e fertilizantes qu\u00edmicos , diz Sanches, do Minist\u00e9rio da Agricultura.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTem produto que o agricultor consegue fabricar na sua pr\u00f3pria unidade, mas tem outros que n\u00e3o. Portanto, n\u00e3o conseguir acessar os insumos necess\u00e1rios, n\u00e3o s\u00f3 para controlar pragas, como tamb\u00e9m para fertilizar o solo, pode resultar em uma produtividade menor\u201d, explica Sanches.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Al\u00e9m de n\u00e3o usarem agrot\u00f3xicos e transg\u00eanicos, normas ambientais e trabalhistas exigem mais investimento O mercado de alimentos org\u00e2nicos \u00e9 um ramo em crescimento no Brasil e, s\u00f3 em 2020, avan\u00e7ou 30% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, movimentando R$ 5,8 bilh\u00f5es, segundo a Associa\u00e7\u00e3o de Promo\u00e7\u00e3o dos Org\u00e2nicos (Organis). 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