{"id":33958,"date":"2021-10-29T11:28:48","date_gmt":"2021-10-29T11:28:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/?p=33958"},"modified":"2021-10-29T11:28:53","modified_gmt":"2021-10-29T11:28:53","slug":"entrevista-com-patricia-pereira-dos-santos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/entrevista-com-patricia-pereira-dos-santos\/","title":{"rendered":"Entrevista com Patr\u00edcia Pereira dos Santos"},"content":{"rendered":"\n<h2>Paratleta de Indaiatuba conquista bronze no revezamento misto 4x50m em T\u00f3quio 2020<\/h2>\n\n\n\n<p>Natural de Vit\u00f3ria, no Espirito Santo, Patr\u00edcia Pereira dos Santos, de 43 anos, faz parte da equipe de nata\u00e7\u00e3o da APIN\/Naur\u00fa (Associa\u00e7\u00e3o Paraolimpica de Indaiatuba). A capixaba conquistou a medalha de prata nos Jogos Paral\u00edmpicos de Ver\u00e3o de 2016 no Rio de Janeiro, na categoria 4&#215;50 metros livre misto e medalha de bronze nos Jogos Para\u00e7\u00edmpicos de T\u00f3quio 2020 no revezamento misto 4&#215;50 ao lado de Joana Neves, Daniel Dias e Talisson Glock.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2020, ela se mudou de Vit\u00f3ria (ES), para Indaiatuba (SP). Acompanhe a entrevista exclusiva do Jornal Exemplo\u00ae com a paratleta, contando toda a sua trajet\u00f3ria, do in\u00edcio da sua carreira ao p\u00f3dio em T\u00f3quio 2020.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1. Como foi o in\u00edcio da sua carreira?<\/strong><br><strong>R: <\/strong>No in\u00edcio da minha carreira eu comecei no basquete, onde fiquei 12 anos e um dia recebi uma proposta para conhecer o projeto da nata\u00e7\u00e3o da equipe onde fiquei durante 10 anos, fiquei at\u00e9 2019. Gostei da magia que a \u00e1gua da ao meu corpo e estou at\u00e9 hoje me aventurando nas \u00e1guas pelo mundo a fora.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2. Voc\u00ea come\u00e7ou a praticar nata\u00e7\u00e3o em 2009, s\u00e3o 12 anos de esporte na sua vida, como foi a sensa\u00e7\u00e3o de ganhar a primeira medalha nos Jogos Paral\u00edmpicos em 2016, no Rio de Janeiro, logo dentro do nosso pa\u00eds? Como e quando esse sonho come\u00e7ou?<\/strong><br>R: Quando eu comecei a nadar eu ficava imaginando se um dia eu ia conseguir encontrar os meus \u00eddolos, e em algumas das competi\u00e7\u00f5es que eu fui eu encontrava as pessoas que eu me identificava e s\u00f3 via na televis\u00e3o. Era aquela \u201ctietagem\u201d, minhas primeiras competi\u00e7\u00f5es e eu pedindo para tirar foto com eles porque eu era f\u00e3. Isso come\u00e7ou em 2012, 2013, onde agu\u00e7ou minha vontade de melhorar a minha performance e desde l\u00e1 eu venho buscando minhas metas porque para estar pr\u00f3ximo deles, eu teria que estar no n\u00edvel deles. Ter essa oportunidade de fazer uma Paralimpiada no Brasil, eu fiquei sabendo dois dias antes que eu iria abrir o revezamento. Meu cora\u00e7\u00e3o disparou, porque eu iria abrir o revezamento para os meus \u00eddolos e era uma mega responsabilidade e um misto de sentimentos que n\u00e3o consigo descrever de t\u00e3o incr\u00edvel que foi aquele momento. Dois momentos \u00e9picos na minha vida que tive oportunidade de estar, em 2016 no Rio e agora em T\u00f3quio, estar pr\u00f3ximo do Daniel, da Joana, estar no encerramento da jornada do Daniel, para mim foi uma oportunidade do universo. Eu n\u00e3o tinha pretens\u00e3o nenhuma e chegou um momento na minha cabe\u00e7a de n\u00e3o estar em T\u00f3quio por dificuldades que eu obtive no trajeto at\u00e9 a prepara\u00e7\u00e3o dos jogos. Estar no Jap\u00e3o foi surreal e sou grata pela oportunidade que tive em Indaiatuba na equipe da APIN\/Naur\u00fa, que foi essencial e crucial para a minha retomada as atividades e treinamentos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3. Nos Jogos Paral\u00edmpicos, a nata\u00e7\u00e3o \u00e9 uma modalidade em que o Brasil desponta entre os favoritos em v\u00e1rias classes, foram 23 medalhas conquistadas em T\u00f3quio. Ao que se deve todo esse destaque da campanha hist\u00f3rica que vimos no Jap\u00e3o?<\/strong><br><strong>R:<\/strong> Eu acredito muito na base e nos projetos filantr\u00f3picos que muitos Estados proporcionam alguma atividade f\u00edsica, algum conhecimento das modalidades. \u00c9 muito bom que isso ocorra e que venham muito mais profissionais, todo esse holofote tem que ser pra eles, porque a gente vem de situa\u00e7\u00f5es sem condi\u00e7\u00f5es financeiras e sem investimentos. Hoje j\u00e1 se tem oportunidades de capta\u00e7\u00e3o de recursos e investimentos, mas a base para chegar em uma Sele\u00e7\u00e3o Brasileira come\u00e7a l\u00e1 tr\u00e1s onde quase ningu\u00e9m enxerga, mas estamos l\u00e1 e eu sou fruto disso. Acreditar nos projetos, alimentar as oportunidades gera pessoas e oportunidades como eu tive e estou tendo, n\u00e3o s\u00f3 eu mas muito atletas brasileiros pelo Brasil a fora, nem todo mundo tem a oportunidade de ser bolsista, a gente come\u00e7a pela paix\u00e3o pela nata\u00e7\u00e3o e o resultado \u00e9 consequ\u00eancia daquilo que a gente se dedica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>4. Qual foi sua principal dificuldade de se adaptar a treinar, nadar em um pa\u00eds com um fuso-hor\u00e1rio t\u00e3o diferente do Brasil? Sentiu falta de algum fator?<\/strong><br><strong>R:<\/strong> Foi uma paralimpiada \u00e9pica por estar no meio de uma pandemia e muitas pessoas estavam com os nervos a flor da pele pois muitos perderam muitas pessoas por esse v\u00edrus mortal e tudo isso mostrou um outro lado do ser humano, mais acolhedor, dando mais valor a pequenos gestos e atitudes e que tem tamanho poder de transforma\u00e7\u00e3o de resgate. S\u00f3 tenho a ser grata a eles, foram acolhedores, hospitaleiros, prestativos. Eu como brasileira sempre vou sentir falta da alimenta\u00e7\u00e3o, foi o \u00fanico ponto negativo, o resto \u00e9 oportunidade e privilegiados fomos por estar e vivenciar quaisquer que seja a oportunidade. Tenho que parabeniz\u00e1-los porque conseguiram fazer um espet\u00e1culo e nos deixaram a vontade e a prova do resultado que o Brasil trouxe pela atmosfera do ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>5. A medalha de bronze no revezamento 4x50m livre foi a primeira medalha coletiva do Brasil em T\u00f3quio. Por\u00e9m, apesar da lideran\u00e7a nos primeiros 50m, foi uma disputa de recupera\u00e7\u00e3o no final contra a Ucr\u00e2nia, com uma diferen\u00e7a de 7 cent\u00e9simos a frente. Qual a import\u00e2ncia do trabalho psicol\u00f3gico em momentos decisivos como esse?<\/strong><br><strong>R: <\/strong>O esporte brasileiro passou por uma alavanca importante. Este trabalho \u00e9 essencial em todas as modalidades e hoje temos uma equipe de psic\u00f3logos no CPB (Comit\u00ea Paral\u00edmpico Brasileiro) que foi essencial porque trabalhamos diariamente a parte fisica, mas se n\u00e3o trabalhar a capacidade mental, muitos desses resultados n\u00e3o teria tido \u00eaxito. Este tipo de trabalho tem que continuar pois \u00e9 fundamental, tudo \u00e9 um passo a passo e eu tive o privil\u00e9gio de come\u00e7ar a fazer esse trabalho antes, se eu n\u00e3o tivesse tido um psic\u00f3logo eu teria jogado a toalha, eles s\u00e3o aquela v\u00e1lvula de ar que o corpo e a mente precisam para determinadas situa\u00e7\u00f5es. Tenho que parabenizar os psic\u00f3logos porque tiveram grande import\u00e2ncia em todo esse processo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>6. Voc\u00ea tem apoio do munic\u00edpio de Indaiatuba? Eles ajudam em alguma coisa? Como \u00e9 o incentivo das entidades esportivas?<\/strong><br><strong>R:<\/strong> Eu recebi o convite para voltar as piscinas em novembro de 2020 da equipe da APIN\/Naur\u00fa. Sempre vi a hist\u00f3ria da equipe aqui de Indaiatuba, a gente se encontrava sempre nos Campeonatos Brasileiros, sempre observava a forma de como eles conduziam e tinham uma equipe muito grande, eram campe\u00f5es de tudo. Hoje n\u00f3s sabemos que tem os projetos voltados para a base. Quando eu cheguei estavam em um pequeno momento turbulento pela extin\u00e7\u00e3o de alguns programas que tinham na cidade, ent\u00e3o quem t\u00e1 vindo de fora fica perplexo de vivenciar a situa\u00e7\u00e3o sem poder fazer nada, justamente no per\u00edodo de prepara\u00e7\u00e3o para os Jogos Paral\u00edmpicos e isso afetou a equipe e um trabalho de 17 anos, foi uma situa\u00e7\u00e3o delicada. Hoje n\u00f3s temos uma equipe t\u00e9cnica fant\u00e1stica, que me fez acreditar que eu ainda era capaz, nosso treinador, preparador e todo o apoio que temos e que permane\u00e7a, pois o incentivo e a valoriza\u00e7\u00e3o \u00e9 muito importante. Esse \u00e9 o sonho de todo atleta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>7. Qual o seu recado para todas as pessoas que tem o sonho de participar dos Jogos Paral\u00edmpicos?<\/strong><br><strong>R: <\/strong>Acredite nos que est\u00e1 sendo feito, acredite nas instru\u00e7\u00f5es, informa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o passadas. N\u00e3o vai ser f\u00e1cil. Sonhar \u00e9 bom, mas botar ele em a\u00e7\u00e3o \u00e9 o que faz a diferen\u00e7a. Isso come\u00e7a com disciplina, fazer determinadas abdica\u00e7\u00f5es, se voc\u00ea tiver um objetivo e centrar ele, \u00e9 aquilo que voc\u00ea quer alcan\u00e7ar. \u00c9 botar o bra\u00e7o na \u00e1gua, absorver as informa\u00e7\u00f5es e buscar. A gente vai encontrar dificuldades, pra quem \u00e9 deficiente, vai a limita\u00e7\u00e3o f\u00edsica, rotina do dia a dia, prepara\u00e7\u00e3o, treino, adversidades que voc\u00ea encontra no percorrer do dia a dia de se deslocar de um canto para outro. Isso faz com que nos fortale\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paratleta de Indaiatuba conquista bronze no revezamento misto 4x50m em T\u00f3quio 2020 Natural de Vit\u00f3ria, no Espirito Santo, Patr\u00edcia Pereira dos Santos, de 43 anos, faz parte da equipe de nata\u00e7\u00e3o da APIN\/Naur\u00fa (Associa\u00e7\u00e3o Paraolimpica de Indaiatuba). 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