{"id":32,"date":"2015-03-03T19:28:54","date_gmt":"2015-03-03T19:28:54","guid":{"rendered":"http:\/\/jornalexemplo1.hospedagemdesites.ws\/jornal\/?p=32"},"modified":"2015-03-03T19:30:47","modified_gmt":"2015-03-03T19:30:47","slug":"filme-volta-apos-ganhar-estatueta","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/filme-volta-apos-ganhar-estatueta\/","title":{"rendered":"Filme volta ap\u00f3s ganhar estatueta"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_34\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/jornalexemplo1.hospedagemdesites.ws\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/cul_04.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-34\" class=\"size-medium wp-image-34\" src=\"http:\/\/jornalexemplo1.hospedagemdesites.ws\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/cul_04-300x138.jpg\" alt=\"Oscar Birdman foi eleito Melhor Filme durante cerim\u00f4nia\" width=\"300\" height=\"138\" srcset=\"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/cul_04-300x138.jpg 300w, http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/cul_04.jpg 497w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-34\" class=\"wp-caption-text\">Oscar Birdman foi eleito Melhor Filme durante cerim\u00f4nia<\/p><\/div>\n<p>Riggan Thomas fez fama ao interpretar o super-her\u00f3i Birdman. O int\u00e9rprete de Riggan, Michael Keaton, ficou marcado por sua caracteriza\u00e7\u00e3o de Batman, na vers\u00e3o de 1989, sob a grife de Tim Burton. Riggan quer se livrar do clich\u00ea que o associa ao super-her\u00f3i voador. Talvez Keaton tamb\u00e9m deseje mostrar que pode voar al\u00e9m dos limites de Gotham City. Este jogo de espelhos entre fic\u00e7\u00e3o e ator est\u00e1 na origem de Birdman &#8211; Ou a Inesperada Virtude da Ignor\u00e2ncia, dirigido pelo mexicano Alejandro Gonz\u00e1lez I\u00f1\u00e1rritu (de Amores Brutos e 21 Gramas) e que venceu o Oscar de Melhor Filme. O longa voltou em cartaz nessa semana na cidade.<\/p>\n<p>Birdman \u00e9, entre outras coisas, um coment\u00e1rio \u00e1cido sobre a fama e a ind\u00fastria cultural. Riggan tornou-se um \u00edcone popular, reconhecido em qualquer lugar. Uma celebridade. No entanto, depois de se recusar a fazer o quarto exemplar da franquia Birdman, sua popularidade come\u00e7a a declinar. \u00c9 um homem em crise, desejoso de provar sua capacidade de reinven\u00e7\u00e3o. Quer fazer algo diferente, mais &#8216;nobre&#8217; e consistente. Para quem precisa provar seu valor? Para sua filha, Sam (Emma Stone) e, acima de tudo, para si mesmo.<\/p>\n<p>Por isso, decide montar uma pe\u00e7a na Broadway, baseada em texto famoso. Deseja adaptar, dirigir e interpretar um conto de Raymond Carver, Do Que Estamos Falando Quando Falamos de Amor. Com sua narrativa sint\u00e9tica, Carver (1938-1988) transformou-se em \u00edcone da literatura norte-americana. Um mestre como Robert Altman adaptou alguns contos de Carver sob o t\u00edtulo de Short Cuts (com o subt\u00edtulo Cenas da Vida, no Brasil), um dos melhores filmes dos anos 1990.<\/p>\n<p>Enfim, eis a\u00ed os ingredientes corretos para a &#8216;reden\u00e7\u00e3o&#8217; art\u00edstica do antigo super-her\u00f3i: texto de prest\u00edgio e encenado no teatro. O teatro \u00e9 a arte antiga diante da qual o cinema, arte nova, presta rever\u00eancia em seus momentos de crise. O palco \u00e9 o ref\u00fagio do ator que se julga mal aproveitado no voraz show biz de Hollywood. Ref\u00fagio, por\u00e9m desafio e tanto para quem se acostumou a atuar protegido por efeitos especiais, repeti\u00e7\u00f5es de cenas e a m\u00e3ozinha final da edi\u00e7\u00e3o amiga. S\u00e3o v\u00e1rias redes de prote\u00e7\u00e3o, que inexistem no palco. Nele, diante da plateia, errou, errou, e n\u00e3o h\u00e1 volta. Mas, como j\u00e1 se disse, o cinema \u00e9 a arte do diretor e o teatro \u00e9 a arte do ator.<\/p>\n<p>De modo que I\u00f1\u00e1rritu procura retratar um ator na &#8216;corda bamba&#8217;. N\u00e3o por acaso, ele diz que se inspirou no document\u00e1rio O Equilibrista, de James Marsh, sobre Philippe Petit, o franc\u00eas que caminhou sobre um fio de a\u00e7o entre as Torres G\u00eameas em Nova Iorque. Petit e sua ousadia sem par s\u00e3o uma esp\u00e9cie de modelo art\u00edstico para I\u00f1\u00e1rritu. Arte \u00e9 risco. Ou fuga da zona de conforto, como se diz hoje nos manuais de autoajuda.<\/p>\n<p>Mas Riggan tem outros desafios a enfrentar. Al\u00e9m da filha, que saiu de uma cl\u00ednica de reabilita\u00e7\u00e3o e n\u00e3o o leva a s\u00e9rio, h\u00e1 o ultracompetitivo ator Miki Shiner (Edward Norton) com quem precisa contracenar. Os ensaios n\u00e3o v\u00e3o bem e o agente de Riggan, Brando (Zach Galifianakis), vive a pression\u00e1-lo para que pegue pap\u00e9is mais rent\u00e1veis. Pior de tudo, Riggan n\u00e3o se livra de uma voz que o atormenta e o chama de volta ao porto seguro do personagem de Birdman.<\/p>\n<p>I\u00f1\u00e1rritu funde essa situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica em uma com\u00e9dia de humor negro com tra\u00e7os surreais. Nem por isso \u00e9 menos incisivo. Pelo contr\u00e1rio. Usando o riso como navalha cr\u00edtica, corta fundo na carne da ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica, repetitiva, sem imagina\u00e7\u00e3o e mercantilista. Como tantas outras ind\u00fastrias, tamb\u00e9m a do cinema de Hollywood perdeu de vista seu objetivo principal e se transformou em m\u00e1quina de fazer dinheiro. Preserva, ainda, frestas pelas quais se respira &#8211; e Birdman, ele pr\u00f3prio, \u00e9 exemplo de como se pode atuar na ind\u00fastria, colocando-a contra si mesma.<\/p>\n<p>Trabalhando contra o ide\u00e1rio de cinema comercial, de cortes r\u00e1pidos e narrativa superficial, I\u00f1\u00e1rritu filma em longos planos-sequ\u00eancia (planos sem cortes). Monta com tal min\u00facia que o filme todo parece constru\u00eddo sobre um \u00fanico e ininterrupto plano. N\u00e3o \u00e9 assim, mas parece. Essa proeza d\u00e1 a Birdman uma flu\u00eancia narrativa extraordin\u00e1ria. Bem concebido, pensado e interpretado, \u00e9 exemplo de que a ind\u00fastria do cinema \u00e9 t\u00e3o poderosa que permite at\u00e9 mesmo a ingratid\u00e3o dos seus funcion\u00e1rios. Billy Wilder j\u00e1 sabia disso quando filmou Crep\u00fasculo dos Deuses em 1950.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Riggan Thomas fez fama ao interpretar o super-her\u00f3i Birdman. 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