{"id":31890,"date":"2021-04-09T12:01:15","date_gmt":"2021-04-09T12:01:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/?p=31890"},"modified":"2021-04-09T12:01:15","modified_gmt":"2021-04-09T12:01:15","slug":"passagens-essenciais-ao-comercio-maritimo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/passagens-essenciais-ao-comercio-maritimo\/","title":{"rendered":"Passagens essenciais ao com\u00e9rcio mar\u00edtimo"},"content":{"rendered":"<p><strong>Vias s\u00e3o fundamentais para o funcionamento da economia global; conhe\u00e7a suas principais caracter\u00edsticas<\/strong><\/p>\n<p>Os seis dias em que o cargueiro Ever Given ficou encalhado no Canal de Suez foram suficientes para causar grandes problemas no com\u00e9rcio internacional em todo o mundo.<\/p>\n<p>O pre\u00e7o do petr\u00f3leo subiu abruptamente, e in\u00fameras empresas foram seriamente afetadas, desde fornecedores de transporte dom\u00e9stico a varejistas, supermercados e fabricantes.<\/p>\n<p>Segundo a an\u00e1lise da seguradora alem\u00e3 Allianz, isso pode gerar uma redu\u00e7\u00e3o no crescimento comercial global anual entre 0,2 e 0,4 ponto percentual.<\/p>\n<p>Isso porque esta passagem mar\u00edtima \u00e9 vital para as cadeias de abastecimento em todo o mundo. Mas n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica.<\/p>\n<p>O Canal de Suez se junta a uma longa lista de vias que s\u00e3o fundamentais para o funcionamento da economia global. Quais s\u00e3o quatro dessas vias e suas principais caracter\u00edsticas?<\/p>\n<p><strong>1. Canal de Suez<\/strong><br \/>\nEste portal entre o Oriente e o Ocidente, localizado no Egito, come\u00e7ou a funcionar em 1869. Tem 193 km de extens\u00e3o e conecta o Mar Mediterr\u00e2neo ao Mar Vermelho.<\/p>\n<p>Em 2020, passaram por l\u00e1 19.311 navios, com cerca de 1,21 bilh\u00f5es de toneladas de carga, segundo a Autoridade do Canal de Suez (ACS). Isso representa 12% do com\u00e9rcio global, o que o torna vital para o funcionamento normal da economia mundial.<\/p>\n<p>Entre as mercadorias que passam por l\u00e1, uma das mais relevantes \u00e9 o petr\u00f3leo. Segundo estimativas da ACS, quase 2 milh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo transitam no canal todos os dias. Al\u00e9m disso, cerca de 8% do g\u00e1s natural liquefeito.<\/p>\n<p>\u201cEste canal \u00e9 muito importante para abastecer a Europa\u201d, diz o engenheiro naval espanhol Jorge Pla Peralonso, especialista em tr\u00e1fego mar\u00edtimo.<\/p>\n<p>Sem o Canal de Suez, as remessas que viajam entre a \u00c1sia-Pac\u00edfico, o Oceano \u00cdndico, o Mar da Ar\u00e1bia e a Europa teriam que cruzar todo o continente africano, o que aumentaria os custos e prolongaria substancialmente os tempos de viagem.<\/p>\n<p>Uma das rotas alternativas, passando ao redor do Cabo da Boa Esperan\u00e7a, leva quase nove dias a mais.<\/p>\n<p>Segundo Peralonso, esse canal s\u00f3 foi fechado tr\u00eas vezes na hist\u00f3ria, em decorr\u00eancia de conflitos pol\u00edticos. \u201cE a crise foi gigantesca, mesmo sem haver o volume de tr\u00e1fego que existe agora\u201d, diz.<\/p>\n<p>O canal tamb\u00e9m \u00e9 uma importante fonte de renda para o Egito. At\u00e9 antes da pandemia, o com\u00e9rcio que por ali passava contribu\u00eda com 2% do Produto Interno Bruto (PIB) do pa\u00eds, segundo an\u00e1lise da Moody\u2019s Investors Service.<\/p>\n<p><strong>2. Canal do Panam\u00e1<\/strong><br \/>\nA abertura do Canal do Panam\u00e1, em 1914, revolucionou o com\u00e9rcio mar\u00edtimo no mundo.<\/p>\n<p>Por mais de um s\u00e9culo, uma das grandes obras da engenharia latino-americana do s\u00e9culo 20 constituiu o caminho mais curto entre os dois maiores oceanos do mundo: o Atl\u00e2ntico e o Pac\u00edfico.<\/p>\n<p>Quase 6% do com\u00e9rcio mundial transita por ali: mais de 13 mil navios cruzam de um lado para o outro anualmente para transportar suas mercadorias.<\/p>\n<p>A dimens\u00e3o \u00e9 gigantesca: o canal est\u00e1 em 144 rotas mar\u00edtimas que ligam 160 pa\u00edses e com destino a cerca de 1,7 mil portos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 crucial para o Panam\u00e1: no ano fiscal de 2020, a contribui\u00e7\u00e3o direta do canal ao pa\u00eds foi de 2,7% do PIB, segundo dados da Autoridade do Canal do Panam\u00e1 (ACP).<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma grande fonte de receita para o Panam\u00e1. \u00c9 um passo muito importante para todo o tr\u00e1fego para os Estados Unidos e \u00e9 obviamente uma alternativa ao tr\u00e1fego leste-oeste do mundo\u201d, diz Peralonso.<\/p>\n<p>\u201cPara a regi\u00e3o da Am\u00e9rica Latina, \u00e9 fundamental. A maioria dos pa\u00edses se beneficia desse canal, h\u00e1 muito com\u00e9rcio para o Caribe e do Caribe para o Pac\u00edfico.\u201d<\/p>\n<p>Mas esse canal, em compara\u00e7\u00e3o aos demais, \u00e9 mais complexo. \u00c9 constru\u00eddo com base em um sistema de eclusas que, embora lhe tenha permitido funcionar de forma ininterrupta, pode ser o seu principal ponto fraco, porque depende das chuvas para funcionar.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, principalmente em 2016, o canal foi ampliado para otimizar o uso da \u00e1gua.<\/p>\n<p>Mas a via sofreu uma de suas piores crises naturais em 2020, quando foi descoberto que estava ficando sem \u00e1gua.<\/p>\n<p>A falta de chuvas em 2019 colocou em cheque o complicado mecanismo de eclusas que move os navios de um mar para o outro.<\/p>\n<p>Assim, a institui\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel pelo canal continua a trabalhar em v\u00e1rias medidas para manter seu funcionamento, incluindo a redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de navios que o atravessam.<\/p>\n<p><strong>3. Estreito de Ormuz<\/strong><br \/>\n\u00c9 sem d\u00favida uma das travessias mar\u00edtimas mais estrat\u00e9gicas do mundo, conectando produtores de petr\u00f3leo no Oriente M\u00e9dio com os principais mercados na \u00c1sia-Pac\u00edfico, Europa e Am\u00e9rica do Norte.<\/p>\n<p>Com cerca de 160 km de extens\u00e3o, o Estreito de Ormuz \u00e9, ao contr\u00e1rio dos canais de Suez e do Panam\u00e1, uma passagem mar\u00edtima natural e n\u00e3o \u00e9 controlada por nenhum pa\u00eds.<\/p>\n<p>O estreito liga o Golfo P\u00e9rsico ao Golfo de Om\u00e3 (onde est\u00e3o pa\u00edses como Ir\u00e3, Kuwait, Ar\u00e1bia Saudita, Bahrein, Catar e os Emirados \u00c1rabes Unidos) e ao Mar da Ar\u00e1bia.<\/p>\n<p>Em seu ponto mais estreito, o canal separa Om\u00e3 e Ir\u00e3 por apenas 33 km. Ele possui duas vias mar\u00edtimas, cada uma medindo apenas 3km.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o haja dados oficiais sobre o tr\u00e2nsito desse canal, de acordo com a Administra\u00e7\u00e3o de Informa\u00e7\u00e3o de Energia dos Estados Unidos (EIA, na sigla em ingl\u00eas), cerca de um quinto das exporta\u00e7\u00f5es mundiais de petr\u00f3leo passam por aqui.<\/p>\n<p>Ou seja, uma m\u00e9dia de quase 21 milh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo transita por dia nessa passagem mar\u00edtima. Isso representa, segundo o EIA, 21% do consumo mundial de l\u00edquidos derivados do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>A maior parte da mercadoria (petr\u00f3leo) que passa por este estreito \u00e9 proveniente da Ar\u00e1bia Saudita e seus principais destinos s\u00e3o os mercados asi\u00e1ticos da China, \u00cdndia, Jap\u00e3o, Coreia do Sul e Cingapura.<\/p>\n<p>\u00c9 de se esperar, ent\u00e3o, que essa \u00e1rea seja o centro de tens\u00e3o entre v\u00e1rios pa\u00edses.<\/p>\n<p>Em 2018, ali\u00e1s, ele ganhou destaque depois que o Ir\u00e3 amea\u00e7ou, mais uma vez, bloquear a passagem. Isso ocorreu depois que Donald Trump retirou os Estados Unidos do acordo nuclear, impondo san\u00e7\u00f5es severas a Teer\u00e3.<\/p>\n<p>As amea\u00e7as do Ir\u00e3 de bloquear a passagem preocupam o mundo, porque, se essa rota se tornar impratic\u00e1vel, a oferta mundial de petr\u00f3leo cairia 20%, segundo dados compilados antes das \u00faltimas san\u00e7\u00f5es americanas, publicadas pelo jornal The Washington Post.<\/p>\n<p>No entanto, Peralonso diz que \u00e9 um alerta para \u201ccolocar press\u00e3o\u201d. \u201c\u00c9 muito dif\u00edcil para um pa\u00eds que vive de petr\u00f3leo fechar seu escoamento\u201d, afirma.<\/p>\n<p><strong>4. Estreito de Malaca<\/strong><br \/>\nEsta passagem mar\u00edtima se estende por cerca de 930 km entre os oceanos \u00cdndico e Pac\u00edfico. Em sua parte mais estreita, voltada para Cingapura, tem apenas 2,7 km de largura.<\/p>\n<p>De acordo com as publica\u00e7\u00f5es The Atlantic e Sea Trade Maritime, 84 mil navios cruzam esse estreito a cada ano, representando 25% do com\u00e9rcio mundial.<\/p>\n<p>Dois ter\u00e7os do volume que passa pelo estreito s\u00e3o petr\u00f3leo bruto do Golfo P\u00e9rsico. S\u00e3o cerca de 16 milh\u00f5es de barris destinados, principalmente, \u00e0 China e ao Jap\u00e3o. Mas a via tamb\u00e9m \u00e9 importante para cargas a granel e cont\u00eaineres.<\/p>\n<p>O estreito tem se tornado cada vez mais importante para pot\u00eancias econ\u00f4micas como China, Jap\u00e3o e Coreia do Sul, mas tamb\u00e9m para os emergentes do Sudeste Asi\u00e1tico.<\/p>\n<p>\u201cEste \u00e9 um caminho fundamental para todas as trocas de mercadorias que existem entre o Oriente M\u00e9dio e o Extremo Oriente. \u00c9 um tr\u00e1fego fundamental entre \u00cdndia, China e o Golfo P\u00e9rsico\u201d, diz Peralonso.<\/p>\n<p>Mas a China n\u00e3o quer continuar dependendo desse estreito, porque muitas na\u00e7\u00f5es t\u00eam interesses geopol\u00edticos ali.<\/p>\n<p>Por isso, em 2013, o presidente chin\u00eas, Xi Jinping, lan\u00e7ou um ambicioso projeto de infraestrutura chamado Corredor Econ\u00f4mico China-Paquist\u00e3o, como parte da Nova Rota da Seda, que o gigante asi\u00e1tico planeja finalizar nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>O objetivo \u00e9 conectar a regi\u00e3o oeste da China com o Mar da Ar\u00e1bia e o Oceano \u00cdndico, via Paquist\u00e3o.<\/p>\n<p>E a raz\u00e3o da China para apoiar o megaprojeto \u00e9 estrat\u00e9gica: o gigante asi\u00e1tico quer conseguir um acesso terrestre mais pr\u00e1tico e eficiente ao Oceano \u00cdndico do que o caminho que tem feito at\u00e9 agora, atrav\u00e9s do Estreito de Malaca.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vias s\u00e3o fundamentais para o funcionamento da economia global; conhe\u00e7a suas principais caracter\u00edsticas Os seis dias em que o cargueiro Ever Given ficou encalhado no Canal de Suez foram suficientes para causar grandes problemas no com\u00e9rcio internacional em todo o mundo. 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