{"id":24467,"date":"2019-04-12T18:44:16","date_gmt":"2019-04-12T18:44:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/?p=24467"},"modified":"2019-04-12T18:44:16","modified_gmt":"2019-04-12T18:44:16","slug":"comedia-de-pernas-pro-ar-3-traz-ingrid-guimaraes-em-um-filme-de-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/comedia-de-pernas-pro-ar-3-traz-ingrid-guimaraes-em-um-filme-de-mulheres\/","title":{"rendered":"Com\u00e9dia &#8216;De Pernas Pro Ar 3&#8217; traz Ingrid Guimar\u00e3es em &#8216;um filme de mulheres&#8217;"},"content":{"rendered":"<p><strong>Produ\u00e7\u00e3o mostra Ingrid como Alice, que precisa sair pelo mundo a trabalho e deixar a fam\u00edlia nas m\u00e3os do marido<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12px;\">Luiz Carlos Merten<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">AE<\/span><\/p>\n<p>Duas rainhas, ou duplamente rainha. Da bateria e das bilheterias. Em fevereiro, Ingrid Guimar\u00e3es gravou na Sapuca\u00ed cenas da pr\u00f3xima novela das 7 \u2013 Bom Sucesso, de Rosane Svartman e Paulo Halm. Na quinta, 11, estreia De Pernas pro Ar 3, terceiro filme da franquia sobre Alice, a mulher casada que se reinventa como profissional no mercado de \u2018sex toys\u2019. \u201cN\u00e3o queria fazer novela, porque meu foco \u00e9 o cinema. Mas a Globo me prop\u00f4s esse papel irrecus\u00e1vel \u2013 madrinha da bateria. Qual mulher n\u00e3o teve essa fantasia? N\u00e3o dava para dizer n\u00e3o.\u201d E l\u00e1 foi ela para a avenida.<\/p>\n<p>Para De Pernas pro Ar 3 foi ainda mais longe \u2013 Paris. Uma dist\u00e2ncia longa, mas algo, talvez ainda mais significativo, se passou entre o 1 e o 3. O primeiro e o segundo filmes foram dirigidos por um homem, Roberto Santucci. O terceiro, que agora estreia, por uma mulher, J\u00falia Rezende, com quem Ingrid fez Um Namorado para Minha Mulher. Ela se lembra \u2013 \u201cQuando houve o estouro das com\u00e9dias, uma grande revista fez uma mat\u00e9ria com aquela foto. Era um bando de homens e s\u00f3 eu de mulher. O humor parecia uma coisa masculina. Se a gente fosse refazer agora, n\u00e3o estaria mais sozinha. Tem a M\u00f4nica (Martelli, de \u2018Os Homens S\u00e3o de Marte\u2019 e \u2018Minha Vida em Marte\u2019).\u201d<\/p>\n<p>N\u00e3o rola um estresse? \u201c\u00c9 um dos temas do De Pernas 3. Sororidade. Alice se sente amea\u00e7ada pela garota que chega com tudo, mas a pr\u00f3pria garota lhe faz ver que o mercado tem espa\u00e7o pras duas, nesse caminho que a Alice abriu.\u201d A garota, Leona, \u00e9 interpretada por Samya Pascotto. \u201c\u00c9 sensacional. Tenho cr\u00e9dito de roteiro, mas a Samya contribuiu muito. \u00c9 um filme de mulheres, focado na gente.\u201d J\u00falia Rezende conta que vivia um processo muito pr\u00f3ximo quando surgiu o convite para dirigir o filme. \u201cHavia sido m\u00e3e, estava vivendo aquela loucura de amamentar, trocar fraldas, administrar a casa e ainda manter a vida profissional.\u201d O rep\u00f3rter observa que tem mais. Agn\u00e8s Varda, que morreu em mar\u00e7o, dizia que \u00e0 mulher n\u00e3o \u00e9 dado o tempo de envelhecer. E o filme tamb\u00e9m \u00e9 sobre isso. O filho cresceu, virou homem, Alice ficou velha? \u201cUma diretora tem outra sensibilidade, diferente do homem, para entender esse momento.\u201d<\/p>\n<p>Mas o marido est\u00e1 l\u00e1. Jo\u00e3o\/Bruno Garcia est\u00e1 vivendo um momento de afirma\u00e7\u00e3o profissional e humana. \u201cFicou mais complexo e at\u00e9 nisso o olhar da J\u00falia \u00e9 justo, porque ela tamb\u00e9m \u00e9 casada com um artista que est\u00e1 sempre se testando. Ent\u00e3o eu acho que o filme tem uma pegada mais ampla. \u00c9 de rir, mas nas sess\u00f5es que fizemos teve gente que me disse que chorou porque o conflito familiar \u00e9 muito verdadeiro. \u00c9 o que a gente queria\u201d, reflete Ingrid.<\/p>\n<p>De Pernas 3 surge num outro momento particular do humor brasileiro. Chorar de Rir, no qual Ingrid tem uma participa\u00e7\u00e3o, fracassou na bilheteria e \u00e9 pena, porque \u00e9 um filme de Leandro Hassum com uma proposta bem interessante. Tamb\u00e9m diferente \u00e9 Happy Hour, o conto moral de Eduardo Albergaria em que um caso de adult\u00e9rio termina por desvendar a hipocrisia nacional, na pol\u00edtica como na fam\u00edlia. Estouro no Cear\u00e1, onde j\u00e1 faturou 100 mil espectadores, o desafio de Cine Holli\u00fady 2 \u2013 A Chibata Sideral \u00e9 menos vencer essa ideia de ser um fen\u00f4meno local e encontrar seu lugar no mercado nacional, onde compete com blockbusters \u2013 como o filme de Ingrid e J\u00falia.<\/p>\n<p>M\u00f4nica fez mais de 5 milh\u00f5es de espectadores com Minha Vida em Marte. Paulo Gustavo \u2018paira\u2019 sobre as bilheterias. Com o primeiro Minha M\u00e3e \u00c9 Uma Pe\u00e7a fez 4.605.021 espectadores. No 2, quase dobrou \u2013 9.320.600 espectadores. E divide a cena em Minha Vida em Marte. Qual \u00e9 o segredo desse trio? Paulo Gustavo \u00e9 um fen\u00f4meno de empatia. Arrasta multid\u00f5es que o seguem no teatro e no cinema, e nem est\u00e1 na TV hegem\u00f4nica (a Globo). Interage com Ingrid e M\u00f4nica. Est\u00e3o nos filmes uns dos outros, nos quais a classe m\u00e9dia se identifica e ri de si mesma. Ingrid tenta emplacar seu quinto blockbuster.<\/p>\n<p>O cartaz de De Pernas 3 a mostra com a coxa de fora, firme e forte, mas n\u00e3o \u00e9 a mulher objeto. \u201cSe o papel exige, fa\u00e7o tudo o que tenho direito. Malho, cuido da dieta. O corpo \u00e9 instrumento de trabalho, e voc\u00ea j\u00e1 viu uma madrinha de bateria que n\u00e3o mostra a coxa? Mas \u00e9 s\u00f3 pra olhar. Olhar!\u201d Na trama da novela, Ingrid e Grazi Massafera disputam as aten\u00e7\u00f5es de R\u00f4mulo Estrela, o rei Afonso de Deus Salve o Rei. Quem escreve \u00e9 uma mulher, que tamb\u00e9m dirige cinema e finaliza os detalhes para o lan\u00e7amento de seu pr\u00f3ximo filme, o ambicioso, em termos de produ\u00e7\u00e3o, Pluft, o Fantasminha. Rosane Svartman \u00e9 como Ingrid, J\u00falia Rezende. Mulheres do seu tempo, competitivas, mas que n\u00e3o perderam a ternura. \u201cO mundo precisa de sensibilidade\u201d, diz Ingrid.<\/p>\n<p>Halder Gomes conversa pelo telefone com o Estado, no domingo \u00e0 tarde. Est\u00e1 em Fortaleza, desfrutando o sucesso de Cine Holli\u00fady 2 \u2013 A Chibata Sideral. \u201cO filme virou fen\u00f4meno no Cear\u00e1. J\u00e1 faturou, s\u00f3 aqui, 100 mil espectadores, mais 40 mil desde a estreia nacional, na quinta, 4. As pessoas elogiam a qualidade. Acham bem feito, curtem os efeitos. N\u00e3o \u00e9 aquele complexo de inferioridade de que ET bom tem de ser de Nova York.\u201d<\/p>\n<p>Na trama, Francisgleydissom, o diretor do filme dentro do filme, imagina a chegada dos alien\u00edgenas ao sert\u00e3o e termina por influenciar o pr\u00f3prio Steven Spielberg. \u201c\u00c9 uma brincadeira para refletir sobre o colonialismo cultural. Embora a a\u00e7\u00e3o se passe nos anos 1980, o foco est\u00e1 no Brasil atual, na bo\u00e7alidade socioecon\u00f4mica religiosa que tomou conta do Pa\u00eds.\u201d<\/p>\n<p>No mundo que ficou politicamente correto, o verdadeiro fen\u00f4meno talvez seja o fato de Gomes conseguir fazer piada de gay sem ser homof\u00f3bico e mostrar diferentes vers\u00f5es de mulheres sem parecer machista. \u201cNa \u00e9poca focada n\u00e3o havia corre\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e menos ainda no sert\u00e3o. Pode-se brincar com estere\u00f3tipos, e \u00e9 o que fa\u00e7o. O importante \u00e9 n\u00e3o ser ofensivo. Luiz Gonzaga, o m\u00edtico rei do bai\u00e3o, cantava a mulher macho, sim senhor, e todo mundo achava gra\u00e7a. Eu tenho a minha. \u00c9 a candidata a prefeita da Samantha Schm\u00fctz, que tem aquele bord\u00e3o \u2013 \u2018Eu sou escrota, muito escrota\u2019. Em toda parte, o p\u00fablico morre de rir. Humor se escreve, piada tem timing e \u00e9 preciso respeitar esse tempo.\u201d<\/p>\n<p>Cine Holli\u00fady 2 \u00e9 sua homenagem ao filme de baixo or\u00e7amento, ao cinema mambembe t\u00e3o comum no Nordeste. \u201cFrancisgleydissom sou eu.\u201d E o filme \u00e9 pol\u00edtico, reflete as mudan\u00e7as. \u201cO 1 \u00e9 sobre a decad\u00eancia dos velhos cinemas, O Shaolin do Sert\u00e3o \u00e9 sobre o advento do v\u00eddeo. Tudo isso mudou a rela\u00e7\u00e3o do p\u00fablico com o cinema e as salas. Vi meu primeiro filme numa sala no estilo do Holli\u00fady e foi com o Bruce Lee. Descobri o cinema e as artes marciais.\u201d Chegou a ser dubl\u00ea em Hollywood, nos anos 1990. \u201cFiz o Cine Holli\u00fady como curta, mas tinha tanto assunto que virou longa e teve a sequ\u00eancia.\u201d<\/p>\n<p>O p\u00fablico em todo o Brasil \u2013 menos da metade que o do Cear\u00e1 \u2013 n\u00e3o \u00e9 decepcionante? \u201c\u00c9 um filme popular, se eu tivesse um circuito maior dobrava de p\u00fablico, mas n\u00e3o me intimido perante o blockbuster estrangeiro.\u201d Em maio estreia a s\u00e9rie, na Globo, com dez epis\u00f3dios. Edmilson Silva contracena com atores globais. Se o filme permanecer at\u00e9 l\u00e1, Gomes acredita que ter\u00e1 mais p\u00fablico para o 2.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Produ\u00e7\u00e3o mostra Ingrid como Alice, que precisa sair pelo mundo a trabalho e deixar a fam\u00edlia nas m\u00e3os do marido Luiz Carlos Merten AE Duas rainhas, ou duplamente rainha. Da bateria e das bilheterias. 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