{"id":18296,"date":"2018-01-26T10:29:27","date_gmt":"2018-01-26T10:29:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/?p=18296"},"modified":"2018-01-26T10:29:27","modified_gmt":"2018-01-26T10:29:27","slug":"ilhas-cook-um-atol-familiar-no-pacifico","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/ilhas-cook-um-atol-familiar-no-pacifico\/","title":{"rendered":"Ilhas Cook: um atol familiar no Pac\u00edfico"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 21px; font-family: helvetica;\">Quando o ingl\u00eas James Cook descobriu o atol, a ilha n\u00e3o era habitada<\/span><\/p>\n<p><em><span style=\"font-size: 10px;\">Por AE\/Marina Guedes \u2022 Foto\u00a0divulga\u00e7\u00e3o<\/span><\/em><\/p>\n<p>A beleza do mar transparente impressiona quem desembarca no atol de Palmerston, nas remotas Ilhas Cook. Altos coqueiros, areia branca e fina, al\u00e9m de diversas esp\u00e9cies de peixes tornam o local semelhante aos demais destinos paradis\u00edacos do Oceano Pac\u00edfico. Sua hist\u00f3ria, por\u00e9m, faz com que seja \u00fanico e intrigante: as tr\u00eas fam\u00edlias residentes descendem da mesma pessoa, o ingl\u00eas William Marsters. Acompanhado de tr\u00eas mulheres, ele foi para l\u00e1 no final do s\u00e9culo 19 com a tarefa de ocupar a remota ilha polin\u00e9sia.<br \/>\n\u201cWilliam nasceu Masters, mas mudou seu sobrenome para Marsters quando estava na Calif\u00f3rnia, na \u00e9poca da corrida pelo ouro. N\u00e3o queria ser reconhecido\u201d, conta Bill Marsters. Aos 67 anos, ele pertence \u00e0 quinta gera\u00e7\u00e3o e \u00e9 respons\u00e1vel por uma das fam\u00edlias na ilha. Dos Estados Unidos, William foi a Manuae (tamb\u00e9m nas Ilhas Cook), onde trabalhou como guarda em um pres\u00eddio. L\u00e1 conheceu o ent\u00e3o respons\u00e1vel por Palmerston, John Brander que, em 1863, o convidou para viver e cuidar do local. \u201cEle teve 23 filhos com as tr\u00eas companheiras que trouxe. A esposa se chamava Akakaingaro. As outras, Matavia e Tepou, eram primas dela.\u201d<br \/>\nSentado na varanda de sua casa, que apelidou de \u2018Yacht Club\u2019, onde recebe os turistas, Bill aborda a hist\u00f3ria de sua fam\u00edlia com a flu\u00eancia de quem parece ter decorado o assunto. Com sotaque que mistura o maori e o ingl\u00eas, oferece a quem chega sorvete, bananas e torradas. Apenas as frutas s\u00e3o locais \u2013 os demais alimentos v\u00eam de Rarotonga (a principal ilha das Cook), em barcos que abastecem a popula\u00e7\u00e3o a cada tr\u00eas meses. Algumas vezes, com atraso de at\u00e9 um m\u00eas.<br \/>\nBandeiras de identifica\u00e7\u00e3o dos barcos, al\u00e9m de outros presentes dados pelos velejadores decoram sua casa, na por\u00e7\u00e3o central da ilha. As outras duas fam\u00edlias, encabe\u00e7adas por Bob e Edward, ficam a oeste e leste de Bill, respectivamente. Hoje, 47 pessoas vivem em Palmerston. Segundo eles, h\u00e1 mais de mil \u201cMarsters\u201d distribu\u00eddos pelas Ilhas Cook, Nova Zel\u00e2ndia e Austr\u00e1lia. \u201c\u00c9 comum sa\u00edrem e regressarem. Foi o que aconteceu comigo. Voltei porque acho a vida aqui muito melhor\u201d, diz Bill.<\/p>\n<p><strong>Gen\u00e9tica<\/strong><br \/>\nBill confirma que houve complica\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas em raz\u00e3o das uni\u00f5es conjugais entre parentes. \u201cQuando casei com minha primeira esposa, n\u00e3o sabia que \u00e9ramos primos, porque ela foi criada longe de Palmerston. J\u00e1 casados, descobrimos que nossos pais eram irm\u00e3os, mas j\u00e1 era tarde. Um de nossos filhos teve s\u00e9rias complica\u00e7\u00f5es\u201d, revelou, sem detalhar o problema. \u201cHoje, ele n\u00e3o anda e tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 capaz de falar\u201d.<br \/>\nAinda segundo Bill, no in\u00edcio da ocupa\u00e7\u00e3o de Palmerston, era comum a uni\u00e3o entre pessoas da mesma fam\u00edlia. \u201cPrincipalmente porque era raro chegarem barcos aqui. \u00c0s vezes, vinham apenas dois por ano. Al\u00e9m disso, as pessoas n\u00e3o tinham conhecimento dos problemas gen\u00e9ticos que poderiam ocorrer aos filhos de relacionamentos entre parentes.\u201d<\/p>\n<p><strong>Hospitalidade<\/strong><br \/>\nOutra caracter\u00edstica do atol \u00e9 a hospitalidade. A extensa barreira de corais impede que embarca\u00e7\u00f5es de m\u00e9dio ou grande porte tenham acesso \u00e0 parte interna da rasa lagoa. Como tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 porto, a \u00fanica op\u00e7\u00e3o para quem chega \u00e9 fazer uso de boias, presas aos corais por correntes a uma profundidade aproximada de 15 metros.<br \/>\n\u201cA primeira fam\u00edlia que avista o barco fica respons\u00e1vel pelo visitante. Cobramos uma taxa de US$ 10 por dia. Em troca, oferecemos alimenta\u00e7\u00e3o e transporte (via lancha de alum\u00ednio) at\u00e9 a ilha\u201d, detalhou Edward, o anfitri\u00e3o dos quatro dias em que estive na ilha. A cada almo\u00e7o, uma farta mesa: peixe fresco, arroz com leite de coco \u2013 rec\u00e9m extra\u00eddo por Edward \u2013, al\u00e9m de frutas e outras carnes.<br \/>\nDomingo \u00e9 dia de missa (a maioria dos habitantes \u00e9 protestante), que ocorre em dois hor\u00e1rios, \u00e0s 10h e \u00e0s 16h. Mulheres usam vestidos com comprimento abaixo dos joelhos e chap\u00e9us floridos. Os homens, cal\u00e7a e camisa. Todos tiram os sapatos na entrada da igreja.<br \/>\nQuando h\u00e1 visitante, \u00e9 comum o pastor incluir agradecimentos aos forasteiros. O culto \u00e9 particular, com trechos cantados em maori, no resto do dia, descanso. Mas a religi\u00e3o est\u00e1 presente no dia a dia, como se nota no discurso dos moradores. \u201cDeus \u00e9 muito generoso conosco. Nunca nos faltou \u00e1gua, temos chuva o suficiente o ano todo, e comida\u201d, observou Edward, ao falar sobre os recursos naturais do atol.<br \/>\nEm menos de uma hora de caminhada \u00e9 poss\u00edvel percorrer toda a ilha. Meu primeiro passeio foi guiado por David, primog\u00eanito de Edward e Shirley, e Matt, rec\u00e9m-chegado da Austr\u00e1lia, tamb\u00e9m parente. No roteiro, visita \u00e0 escola, \u00e1rea de concentra\u00e7\u00e3o dos pain\u00e9is solares, antena para uso de internet e telefone celular, instalados h\u00e1 seis anos. A \u00faltima parada foi no cemit\u00e9rio principal, ao lado da Igreja, onde est\u00e1 o t\u00famulo de William Marsters.<br \/>\nQuando o ingl\u00eas James Cook descobriu o atol, em 1774, a ilha n\u00e3o era habitada. Em 1998, velejadores do barco Enduro fizeram uma detalhada pesquisa ap\u00f3s visitarem Palmerston, em 1998, sobre a origem dos moradores. A principal fonte usada foi o British Public Record Office (PRO), entidade respons\u00e1vel pelo armazenamento dos arquivos nacionais do Reino Unido entre os anos de 1838 a 2003.<br \/>\nEm agradecimento \u00e0 hospitalidade de Bill Marsters, os propriet\u00e1rios do Enduro retornaram a Palmerston com os arquivos impressos. \u00c9 este material que Bill mostra aos turistas.<br \/>\nHoje, as Ilhas Cook s\u00e3o um pa\u00eds aut\u00f4nomo, em livre associa\u00e7\u00e3o com a Nova Zel\u00e2ndia. Com uma \u00e1rea de 2 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados e um total de 15 ilhas, tem o maori e o ingl\u00eas como idiomas oficiais.<br \/>\nNavegar \u00e9 preciso. Diferentemente de ilhas conhecidas, como Taiti ou Bora Bora, o acesso a Palmerston n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel por meio a\u00e9reo. Os principais visitantes s\u00e3o velejadores, normalmente em deslocamento pelo Pac\u00edfico. A partir de Mop\u00e9lia, por exemplo, no extremo Oeste da Polin\u00e9sia Francesa, s\u00e3o 540 milhas n\u00e1uticas (pouco mais de mil quil\u00f4metro). Em m\u00e9dia, quatro dias de navega\u00e7\u00e3o, no caso de um barco de m\u00e9dio porte, como o que eu estava.<br \/>\nFoi da Polin\u00e9sia que parti, a bordo do veleiro Meccetroy, capitaneado por Diego Volpi, italiano com mais de 35 anos de experi\u00eancia em travessias. O barco, um monocasco de 12 metros, ou 41 p\u00e9s. A alta temporada no atol ocorre entre agosto e outubro. Tive a sorte de ir no final, coincidindo com a \u00e9poca de migra\u00e7\u00e3o das jubarte. Quase todos os dias, fui surpreendida por uma. Algumas vezes t\u00e3o pr\u00f3xima que cheguei a pensar se o mam\u00edfero iria, acidentalmente, bater no veleiro. As tartarugas-marinhas tamb\u00e9m eram frequentes.<br \/>\nA \u00fanica restri\u00e7\u00e3o que impede a perman\u00eancia no atol ocorre quando o vento sopra a partir do oeste. Nesse caso, h\u00e1 risco de que o barco seja arrastado para cima dos recifes de coral que circundam a ilha. Em 2011, o velejador do barco de bandeira norte-americana Riri n\u00e3o seguiu as instru\u00e7\u00f5es dos moradores e, por pouco, n\u00e3o teve um tr\u00e1gico desfecho. \u201cSe n\u00e3o fosse nossa ajuda, indo resgat\u00e1-lo de madrugada, certamente teria morrido\u201d, lembrou Edward.<br \/>\nHoje, o mastro da embarca\u00e7\u00e3o \u00e9 usado como suporte para a tenda que cobre a mesa principal de sua casa. Os restos do casco permanecem na praia, e servem de lembrete a quem chega: visitar Palmerston \u00e9 uma aventura.<\/p>\n<p><strong>SAIBA MAIS<\/strong><br \/>\nComo chegar: h\u00e1 voos a partir da Nova Zel\u00e2ndia, Austr\u00e1lia, Polin\u00e9sia Francesa, Estados Unidos e Canad\u00e1 at\u00e9 Rarotonga, principal localidade das Ilhas Cook. At\u00e9 Palmerston, entretanto, somente pelo mar. \u00c9 poss\u00edvel embarcar em um veleiro particular ou viajar em barco cargueiro da Taio Shipping, com limitado n\u00famero de cabines para passageiros, a partir de Rarotonga. H\u00e1 apenas tr\u00eas viagens por ano, e o deslocamento demora tr\u00eas dias, ao longo de 520 quil\u00f4metros. As cabines custam, em m\u00e9dia, US$ 450 cada trecho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando o ingl\u00eas James Cook descobriu o atol, a ilha n\u00e3o era habitada Por AE\/Marina Guedes \u2022 Foto\u00a0divulga\u00e7\u00e3o A beleza do mar transparente impressiona quem desembarca no atol de Palmerston, nas remotas Ilhas Cook. 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