{"id":16290,"date":"2017-09-22T12:31:18","date_gmt":"2017-09-22T12:31:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/?p=16290"},"modified":"2017-09-22T12:31:18","modified_gmt":"2017-09-22T12:31:18","slug":"a-bola-de-capotao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/a-bola-de-capotao\/","title":{"rendered":"A bola de capot\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>O Cel. Matias construiu um campo de futebol na fazenda e deu ao filho Juquita novinha bola de capot\u00e3o. A crian\u00e7ada da fazenda e da rua alvoro\u00e7ou-se. Todos os domingos, havia jogos. Uns de chuteira cambada, outros de velhos sapatos, e a maioria de p\u00e9s no ch\u00e3o.<br \/>\n\u00c9ramos tr\u00eas amigos que \u00edamos \u00e0 fazenda assistir \u00e0s peladas, esperan\u00e7osos de um convite para jogar. Empoleirados no barranco, aplaud\u00edamos qualquer passe do Juquita. Como jogava mal o convencido filhinho de papai! Tentei reatar amizade com ele, esquecer o passado. Nada.<br \/>\n&#8211; N\u00e3o tem vergonha de falar comigo? Sentia desejos de surr\u00e1-lo, mas eu tinha certo temor. O mano Alberto havia ficado noivo da Zuleica, irm\u00e3 mais velha de Juquita, sua namorada desde a inf\u00e2ncia. Um dia, tive a ideia de furtar a bola e logo a transmiti a meus dois amigos. Sem ela, acabariam as peladas por algum tempo e estar\u00edamos vingados. Toda a fam\u00edlia do Cel. Matias costumava assistir \u00e0 missa de manh\u00e3, aos domingos. Decidimos aproveitar uma dessas ocasi\u00f5es e executamos o plano que foi bem-sucedido. Reuni logo a gurizada que vi na rua e convidei-a a partilhar a minha alegria. Joguem \u00e0 vontade. Sapequem o p\u00e9 na bola, sem d\u00f3, porque ela n\u00e3o tem nenhum remendo. O trecho da rua transformou-se numa arena. A bola pulava e, atr\u00e1s dela, uma onda de meninos disputavam um chute.<br \/>\nO mano Alberto e a noiva passaram por n\u00f3s. Ele chegara de S\u00e3o Paulo, de manh\u00e3, dois meninos tagarelas correram a contar-lhe a novidade. O mano perguntou-me:<br \/>\n&#8211; \u00c9 mesmo sua a bola, Milton?<br \/>\nN\u00e3o encontrei de pronto uma resposta. Alberto a olhar o jogo insistiu na pergunta. Fui obrigado a mentir: \u00e9 sim. Ganhei ela do patr\u00e3o &#8211; respondi, baralhando as palavras.<br \/>\n&#8211; Belo presente voc\u00ea recebeu. Uma bola novinha \u2013 disse ele, afastando-se com a noiva.<br \/>\nMais tarde, dei com os olhos em meu pai e num menino que vinham caminhando em minha dire\u00e7\u00e3o. Este, eu logo o reconheci, era o Chico, da fazenda do Cel. Matias. A um grito de meu pai, o jogo parou. Quero a bola aqui! ordenou. Um moleque apanhou-a e lhe entregou, tr\u00eamulo, e os jogadores dispersaram-se num segundo. Meu pai reprovou-me severamente: \u00e9 assim que se vira ladr\u00e3o, roubando pequenas coisas. Nunca mais me fa\u00e7a isso! Sim, senhor. Sim, senhor. V\u00e1 agora mesmo com o Chico entregar a bola do Juquita e pe\u00e7a-lhe muitas desculpas. Se Alberto souber, que vergonha para a fam\u00edlia! N\u00e3o encontrei amigo para ir comigo \u00e0 fazenda. N\u00e3o que temesse o Juquita, mas a sua turminha da ro\u00e7a decidida a lutar por ele. Que poderia eu sozinho fazer contra um punhado de jecas atarracados, de punhos duros que nem cabo de guatambu? Eu soube pelo Chico que meus dois amigos me tra\u00edram, contando tudo a Juquita, a troco de serem admitidos em seu time de futebol. O rancor agitou-me o sangue. Eu&#8230; Eu vim entregar a bola do Juquita. O Cel. Matias sorriu e tratou-me com tanta amabilidade, que cheguei a supor me fosse dar a bola de presente. V\u00e3 esperan\u00e7a! Ele a recebeu, mal a olhou e atirou-a em um canto. Venha c\u00e1 amanh\u00e3 comer uns docinhos na festinha de anivers\u00e1rio do Juquita. Sim, senhor, muito obrigado. Uma \u2018ova\u2019 que voltaria l\u00e1. Tive pressa em sair dali e despedi-me. Enquanto o Cel. Matias estivesse \u00e0 vista, eu n\u00e3o correria o risco de ser surpreendido pelo bando do Juquita. Um c\u00e3o enrodilhado \u00e0 beira da cerca assustou-se com a minha presen\u00e7a, p\u00f4s-se a latir e tive de correr. Pouco adiante, \u00e0 beira da lagoa pescava o Juquita e as irm\u00e3s Mariana e Nilza. Passei de olhos fincados no ch\u00e3o. O Juquita gritou: &#8211; ladr\u00e3o! ladr\u00e3o! Quero minha bola de volta. J\u00e1 entreguei ela a seu pai. N\u00e3o sou ladr\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"mom-members\" style=\"background-color:#ffe680;border-color:#cca300;color:#665200\">Conte\u00fado somente para assinantes. Por favor fa\u00e7a o login<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Cel. Matias construiu um campo de futebol na fazenda e deu ao filho Juquita novinha bola de capot\u00e3o. A crian\u00e7ada da fazenda e da rua alvoro\u00e7ou-se. Todos os domingos, havia jogos. 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