{"id":16079,"date":"2017-09-08T07:13:54","date_gmt":"2017-09-08T07:13:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/?p=16079"},"modified":"2017-09-07T16:40:01","modified_gmt":"2017-09-07T16:40:01","slug":"namoro-a-antiga","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/namoro-a-antiga\/","title":{"rendered":"Namoro \u00e0 antiga"},"content":{"rendered":"<p>O meu namoro de mais de tr\u00eas meses com a Laura n\u00e3o passava da troca de discretos olhares, cumprimentos e acanhados sorrisos.Tudo a dist\u00e2ncia. Parecia um romance encruado, com a propens\u00e3o de permanecer em tempo que eu n\u00e3o podia imaginar. Eu n\u00e3o ousava avizinhar-me dela na rua, com receio de causar-lhe problemas em casa, ou no col\u00e9gio, se ela estivesse de uniforme. Terminada a guerra, minha baixa do Ex\u00e9rcito estava bem pr\u00f3xima, segundo informa\u00e7\u00f5es do tenente Almeida: aproveite o tempo que lhe resta para namorar, sargento, porque seus dias no quartel est\u00e3o contados. Sua baixa n\u00e3o deve tardar. Diante dessa informa\u00e7\u00e3o, s\u00f3 me restava criar coragem e precipitar os acontecimentos. Vou visitar a Laura e conversar com seus pais \u2013 decidi, cheio de coragem e entusiasmo. Achei que n\u00e3o devia apresentar-me fardado. Talvez o doutor n\u00e3o apreciasse convocados e tinha raz\u00e3o. Segundo voz corrente na cidade, cumprido o tempo de Servi\u00e7o Militar, os convocados voltavam \u00e0 sua cidade e n\u00e3o se lembravam das namoradas que iludiram com mentirosas juras de amor e promessas de breve retorno.<br \/>\nNo dia da visita, um s\u00e1bado, 8 horas da noite, vesti o terno de linho branco que pedi emprestado de um colega. N\u00e3o era o meu manequim, e n\u00e3o estava em condi\u00e7\u00f5es de exigir outro melhor, nem sabia onde procur\u00e1-lo. Encaminhou-se para o consult\u00f3rio, abriu a porta e convidou-me a entrar. Mas, doutor, n\u00e3o vim consult\u00e1-lo. &#8211; Se n\u00e3o veio consultar-me, ent\u00e3o, a que devo a honra da visita?<br \/>\nBastou o sorriso e simpatia para conquistar-me e estou aqui para falar sobre minhas pretens\u00f5es de namoro. O doutor sorriu . Chamou a filha: &#8211; Laura, visita para voc\u00ea. Conhece o sargento Alfredo?- Sim, pai. S\u00f3 de vista \u2013 respondeu ela, muito encabulada com a minha nunca esperada presen\u00e7a em sua casa. Eu mantinha-me em p\u00e9. Por favor, sente-se, sargento &#8211; disse-me o doutor. A farda verde-oliva nivela todas as pessoas e torna-se dif\u00edcil distinguir o car\u00e1ter delas. A cidade tem recebido convocados de muitas partes do pa\u00eds. Cabe aos pais redobrar de cuidados. Voc\u00ea me est\u00e1 entendendo? Sim, senhor..Eu n\u00e3o tinha por que discordar do doutor. Limitava-me a ouvir e a dizer sim. Afinal, entendi com clareza que n\u00e3o se cria uma filha para entreg\u00e1-la a qualquer forasteiro, antes de conhecer-lhe a origem, as condi\u00e7\u00f5es financeiras e, principalmente, os dotes morais necess\u00e1rios para assumir t\u00e3o s\u00e9ria responsabilidade para durar a vida inteira. Quando se dar\u00e1 a sua baixa? &#8211; N\u00e3o deve demorar, segundo coment\u00e1rios no quartel. &#8211; Voc\u00eas s\u00e3o novos e mal se conhecem. Podem esperar algum tempo. Minha filha ainda est\u00e1 estudando. A Laura, coradinha, conservava-se calada, nem sabia onde fitar os olhos, se no teto, no pai, ou, a furto, em mim. Eu j\u00e1 estava aflito para que tudo acabasse depressa e pudesse ir embora com a permiss\u00e3o concedida.<br \/>\nO doutor, ap\u00f3s breve sil\u00eancio, decidiu: &#8211; Vamos fazer um acordo, sargento Alfredo? &#8211; Sim, senhor. &#8211; Acordo fechado, doutor. Eu voltarei em breve. Muito obrigado por ter-me recebido t\u00e3o amavelmente.<br \/>\nDespedi-me do doutor. Depois de Laura, com demorado aperto de m\u00e3o e um sorriso dela. Dispensado do Ex\u00e9rcito, voltei para casa. Durante o namoro, \u00e0 dist\u00e2ncia de cerca de 500 quil\u00f4metros de Belo Horizonte, toda semana eu recebia cartas de Laura e postava outras para ela. Valendo-me desse pretexto, e n\u00e3o querendo esperar mais, entendi-me pelo telefone com os pais de Laura, e eles aceitaram o meu inusitado pedido de noivado. Somente voltei a encontrar a Laura seis meses depois do noivado, uma semana antes do casamento. Aqui, encerro estes cap\u00edtulos de meu romance com a Laura. A fam\u00edlia j\u00e1 bem aumentada, com netos e bisnetos, a Laura e eu gostar\u00edamos de ter comemorado as Bodas de Ouro na mesma cidade e igreja, mas era imposs\u00edvel. Com o decorrer dos anos, os epis\u00f3dios multiplicaram-se de tal maneira, que n\u00e3o sinto mais disposi\u00e7\u00e3o para registr\u00e1-los. At\u00e9 nem sei mesmo como tive \u00e2nimo de rabiscar estes epis\u00f3dios de meu romance com a Laura, talvez de nenhum interesse para ningu\u00e9m, sen\u00e3o para mim que os vivi feliz e por longos anos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O meu namoro de mais de tr\u00eas meses com a Laura n\u00e3o passava da troca de discretos olhares, cumprimentos e acanhados sorrisos.Tudo a dist\u00e2ncia. Parecia um romance encruado, com a propens\u00e3o de permanecer em tempo que eu n\u00e3o podia imaginar. 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