{"id":15264,"date":"2017-07-21T12:42:59","date_gmt":"2017-07-21T12:42:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/?p=15264"},"modified":"2017-07-21T12:42:59","modified_gmt":"2017-07-21T12:42:59","slug":"filho-preso","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/filho-preso\/","title":{"rendered":"Filho preso"},"content":{"rendered":"<p>Era segunda-feira de manh\u00e3, princ\u00edpios de janeiro. O Sr. Alencar conservava na alma os ecos das alegres festas de fim de ano que reuniram em sua casa parentes e amigos. Nem chegara a tomar o caf\u00e9, quando um conhecido lhe veio trazer a not\u00edcia de que seu filho Aur\u00e9lio estava preso.<br \/>\n&#8211; Meu filho Aur\u00e9lio?! Est\u00e1 certo disso? \u2013 indagou o pai, perplexo.<br \/>\n&#8211; Sim, o Sr. Alencar n\u00e3o acreditou na not\u00edcia. Era imposs\u00edvel que o filho ainda pudesse estar fora de casa e muito menos preso. Correu ao seu quarto. A cama sem nenhum vest\u00edgio de ter sido ocupada \u00e0 noite. Estremeceu. Lembrou-se de que \u00e0 tarde o filho o avisara de sua ida \u00e0 festinha na casa de um colega de gin\u00e1sio e voltaria logo.<br \/>\nO Sr. Alencar tocou \u00e0s pressas para a delegacia. No caminho, ia ruminando os pensamentos. Que teria acontecido? Imposs\u00edvel. Aur\u00e9lio nunca bebeu e fugia de encrencas, mas tudo podia acontecer em grupinhos de estudantes de sangue novo e ideias extravagantes. \u00c0 porta da delegacia, o Sr. Alencar dirigiu-se ao guarda de plant\u00e3o:<br \/>\n&#8211; Por favor, procuro um rapaz de nome Aur\u00e9lio. Um almofadinha? Se for ele, voc\u00ea veio ao lugar certo. Est\u00e1 de velho na \u2018gaiola\u2018- informou, friamente, o policial. \u00c9 parente seu?<br \/>\n&#8211; Sou o pai dele. Qual o motivo da pris\u00e3o?- Seu filho e outro vadio resolveram surrupiar algumas garrafas de cerveja de um vendedor ambulante. Foram flagrados pelo Dr. Delegado e presos na hora. Sem mais nada adiantar, o guarda pediu ao Sr. Alencar que o seguisse. Enfiaram por um corredor longo, frio e escuro. A caminhada longa cada vez mais afligia o pobre do pai. Pareceu-lhe que ia visitar um criminoso que precisasse ser trancafiado a sete chaves e n\u00e3o um indefeso jovem.<br \/>\n&#8211; \u00c9 aqui a \u2018gaiola\u2019 de seu filho \u2013 disse o policial. Pararam diante de cela escura e \u00famida. Nenhum m\u00f3vel. Num canto, sozinho, estava Aur\u00e9lio vestido com a roupa de festas e deitado no assoalho de cimento, sem colch\u00e3o ou cobertor que o agasalhasse do frio da noite. Tiritava de frio e gemia alto. Nada o arrancava de seu duro sono. Talvez nem quisesse despertar, a medo de entestar com a realidade que o estava aguardando.<br \/>\nPara os pais, os filhos n\u00e3o crescem. Conservam a mesma depend\u00eancia e estatura de menino atrav\u00e9s dos anos. Os olhos fixos em Aur\u00e9lio, por instantes o Sr. Alencar v\u00ea diante de si uma criancinha descoberta, a agitar bracinhos e perninhas nus. Ent\u00e3o, sente na pr\u00f3pria pele a gelidez do corpinho \u00e0 sua frente e n\u00e3o lhe pode acudir. Limita-se a ver e a sofrer. Acorda. Visita pra voc\u00ea &#8211; gritou o guarda, escarnecendo.<br \/>\nO detento continuou im\u00f3vel. O policial batendo forte com um peda\u00e7o de ferro numa grade e noutra, at\u00e9 acord\u00e1-lo. Ao guarda, pouco lhe importava se o despertasse em sobressaltos e lhe interrompesse um lindo sonho, ou um horr\u00edvel pesadelo, ou n\u00e3o despertasse nunca mais. Pouco lhe importava.<br \/>\nJ\u00e1 desperto, nos primeiros momentos Aur\u00e9lio tentou recompor os epis\u00f3dios daquela noite e n\u00e3o se conformava em estar preso. Nunca vira o pai com a guasca na m\u00e3o, pronto para vibr\u00e1-la nos filhos. Em casa abundava a compreens\u00e3o, a toler\u00e2ncia e o amor. Perdoava-se ao filho que errava uma, dez vezes, se necess\u00e1rias. Aur\u00e9lio abaixou a cabe\u00e7a envergonhado, ao ver o pai.<br \/>\n&#8211; A b\u00ean\u00e7\u00e3o, pai! Como vai a mam\u00e3e?- Deus o aben\u00e7oe. Ela n\u00e3o sabe de nada, nem sei como falar-lhe. O que aconteceu?- Nada fizemos de errado, pai. Quando volt\u00e1vamos para casa, \u00e0s dez horas, meu amigo H\u00e9lio pediu uma garrafa de guaran\u00e1 a um vendedor ambulante e pagou. Antes de tom\u00e1-lo, apareceu a viatura da pol\u00edcia com um soldado ao volante e o delegado. O ve\u00edculo parou a nosso lado. O delegado, mal podendo parar em p\u00e9, saiu e gritou:- Voc\u00eas dois est\u00e3o presos, seus moleques ladr\u00f5es!<\/p>\n<div class=\"mom-members\" style=\"background-color:#ffe680;border-color:#cca300;color:#665200\">Conte\u00fado somente para assinantes. 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