{"id":15061,"date":"2017-07-07T12:34:11","date_gmt":"2017-07-07T12:34:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/?p=15061"},"modified":"2017-07-07T12:34:11","modified_gmt":"2017-07-07T12:34:11","slug":"o-pobre-do-caipira","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/o-pobre-do-caipira\/","title":{"rendered":"O Pobre do Caipira"},"content":{"rendered":"<p>Quase todos os dias, havia diferen\u00e7as no caixa do funcion\u00e1rio Gilberto. Uma vez sobrava dinheiro, outras faltava. Pudera! Vivia ele com a cabe\u00e7a no ar, alheio ao servi\u00e7o, com os olhos na rua observando as garotas que passavam na cal\u00e7ada serelepes e provocadoras. Os colegas faziam-no ver o perigo da distra\u00e7\u00e3o, poderia dar-se mal com grande diferen\u00e7a que n\u00e3o pudesse cobrir no prazo regulamentar.<br \/>\nO seu Manuel da Silva recebia pela ag\u00eancia os proventos da sua aposentadoria da Estrada de Ferro. Morava em um s\u00edtio distante. Todo princ\u00edpio de m\u00eas, ia ao banco, a cavalo, e malvestido, para retirar o seu dinheiro. Quando viu o Sr. Manuel, j\u00e1 seu conhecido, humilde, l\u00e1 no canto, a espi\u00e1-lo, condoeu-se dele e procurou logo o seu recibo.<br \/>\n&#8211; Chapa n\u00famero treze. \u2013 gritou. O qu\u00ea? Treze! Meu n\u00famero de azar!<br \/>\nO Sr. Manuel n\u00e3o se movia. Sentado numa cadeira, as pernas cruzadas, fumava o seu \u2018fedorento\u2019 cigarro de palha. O caixa j\u00e1 se ia impacientando com a demora. Gritou o nome, amedrontado de repetir o fat\u00eddico n\u00famero treze da chapa.<br \/>\n&#8211; Manuel da Silva! Manuel da Silva! Mal chegou ao guich\u00ea, o caixa jogou-lhe na frente um punhado de notas desarrumadas recebidas de outro cliente e acrescentou, irado com a pachorra do homem:<br \/>\n&#8211; N\u00e3o precisa conferir, seu Man\u00e9. O Banco nunca erra. Chapa 25 &#8211; gritou o caixa. D\u00e1 licen\u00e7a a\u00ed, seu Man\u00e9! O Sr. Manuel recebeu o dinheiro, meteu-o no bornal e saiu para fazer suas compras.<br \/>\nAo encerrar o movimento de caixa, o Gilberto come\u00e7ou a arrastar mesas, a derrubar cadeiras, a abrir e a fechar gavetas, desorientado. Nenhum objeto da se\u00e7\u00e3o permaneceu no lugar. O cont\u00ednuo, resmungando que nada tinha a ver com as loucuras dos outros, foi obrigado a examinar uma a uma as cestas de pap\u00e9is. A diferen\u00e7a parecia ser das mais desalentadoras. O transtorno das fei\u00e7\u00f5es do Gilberto crescia, \u00e0 medida que se comunicava pelo telefone com os bancos e as firmas que fizeram transa\u00e7\u00e3o com a ag\u00eancia no dia. Para seu maior desespero, ouvia de todos que o caixa deles fechou sem nenhuma diferen\u00e7a.<br \/>\n&#8211; Desta vez estou perdido! \u2013 exclamou. Acrescentava-se a tudo isso o desequil\u00edbrio financeiro do Gilberto, motivado n\u00e3o somente pelas constantes diferen\u00e7as de caixa, como pela vaidade em mostrar-se importante na pequena cidade, onde os funcion\u00e1rios do banco gozavam de enorme prest\u00edgio, e o cr\u00e9dito lhes era f\u00e1cil. Contado e recontado todo dinheiro, a diferen\u00e7a foi confirmada &#8211; dois mil e duzentos cruzeiros. Uma fortuna para quem recebia pouco mais por m\u00eas e sempre andava na dependura.- Dois mil e duzentos cruzeiros &#8211; repetia o Gilberto, com as m\u00e3os na cabe\u00e7a, desalentado.<\/p>\n<div class=\"mom-members\" style=\"background-color:#ffe680;border-color:#cca300;color:#665200\">Conte\u00fado somente para assinantes. Por favor fa\u00e7a o login<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quase todos os dias, havia diferen\u00e7as no caixa do funcion\u00e1rio Gilberto. Uma vez sobrava dinheiro, outras faltava. Pudera! 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