{"id":14980,"date":"2017-06-30T12:02:20","date_gmt":"2017-06-30T12:02:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/?p=14980"},"modified":"2017-06-30T12:02:20","modified_gmt":"2017-06-30T12:02:20","slug":"a-fuga-da-rotina","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/a-fuga-da-rotina\/","title":{"rendered":"A fuga da rotina"},"content":{"rendered":"<p>Para fugir da rotina, um dia resolvi visitar as ag\u00eancias onde trabalhei, e n\u00e3o eram poucas. Comecei pela \u00faltima. Embarquei logo depois do almo\u00e7o e cheguei ao destino \u00e0s cinco da tarde. N\u00e3o sei bem quanto andei de \u00f4nibus. Creio que mais de trezentos quil\u00f4metros.<br \/>\nEstava cansado da viagem e sem disposi\u00e7\u00e3o para andar os poucos quarteir\u00f5es da rodovi\u00e1ria ao hotel. Tomei um t\u00e1xi. Por favor, hotel Central.- \u00c9 pra j\u00e1! Parece que estou conhecendo o cavalheiro!<br \/>\n&#8211; Pode ser. Morei aqui muitos anos.- N\u00e3o disse? Dificilmente esque\u00e7o uma fisionomia simp\u00e1tica.<br \/>\n&#8211; Obrigado pela fisionomia simp\u00e1tica. Deixei a mala no quarto, banhei o rosto em \u00e1gua fria para reanimar-me um pouco e toquei apressado para a pra\u00e7a. As portas do banco j\u00e1 estavam fechadas. Pensei em chamar o vigilante e dizer-lhe que eu era funcion\u00e1rio aposentado, trabalhei muitos anos na ag\u00eancia e gostaria de entrar e abra\u00e7ar os velhos amigos, mas contive-me. &#8211; Amanh\u00e3, vou com mais tempo ao banco.<br \/>\nO corpo n\u00e3o encontrava posi\u00e7\u00e3o c\u00f4moda no duro banco de jardim, em que fui sentar-me. As pessoas passavam por mim e n\u00e3o me viam, como se ali n\u00e3o houvesse ningu\u00e9m. Ainda era cedo para jantar. Por que recolher-me? Afinal, n\u00e3o vim de t\u00e3o longe para trancar-me num quarto de hotel. Pelo menos, fora, eu via gente que falava, e ria, e vivia, embora todos estranhos para mim, e eu para eles. O rel\u00f3gio da igreja deu onze horas.<br \/>\nNo dia seguinte, fui ao banco. Era uma segunda-feira. Dia aziago para mim. N\u00e3o podia entender por que ainda sentia apreens\u00f5es nesse dia da semana, como se algo desagrad\u00e1vel estivesse para acontecer-me. Talvez fosse por causa do s\u00e1bado e do domingo que, na ativa, eu aproveitava minuto a minuto. Mas, agora, que estou aposentado, por que ainda sinto press\u00e1gios nas segundas-feiras? N\u00e3o tenho de preocupar-me com servi\u00e7os acumulados sob minha responsabilidade, e muito menos com alguns inspetores do banco, cuja \u00fanica e prazerosa fun\u00e7\u00e3o n\u00e3o era a de orientar os inspecionados, mas a de humilh\u00e1-los.<br \/>\nFui um dos primeiros que entrou no banco, mal se abriu a porta para o p\u00fablico. Entrei emocionado. Os cabelos j\u00e1 poucos e esbranqui\u00e7ados, a pele enrugada, era eu bem diferente daquele jovem que ingressara no Banco, 35 anos atr\u00e1s, envaidecido com a aprova\u00e7\u00e3o em dif\u00edcil concurso. Por\u00e9m, n\u00e3o ostentava no peito nenhum trof\u00e9u ap\u00f3s lutas e imaginadas vit\u00f3rias.<\/p>\n<div class=\"mom-members\" style=\"background-color:#ffe680;border-color:#cca300;color:#665200\">Conte\u00fado somente para assinantes. Por favor fa\u00e7a o login<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para fugir da rotina, um dia resolvi visitar as ag\u00eancias onde trabalhei, e n\u00e3o eram poucas. Comecei pela \u00faltima. Embarquei logo depois do almo\u00e7o e cheguei ao destino \u00e0s cinco da tarde. N\u00e3o sei bem quanto andei de \u00f4nibus. Creio que mais de trezentos quil\u00f4metros. 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