{"id":14778,"date":"2017-06-16T07:35:22","date_gmt":"2017-06-16T07:35:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/?p=14778"},"modified":"2017-06-15T17:36:23","modified_gmt":"2017-06-15T17:36:23","slug":"o-colega-sampaio","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/o-colega-sampaio\/","title":{"rendered":"O colega Sampaio"},"content":{"rendered":"<p>Em pr\u00e9dio de dois andares, no centro da avenida, residiu por muitos anos o colega Sampaio com a esposa. N\u00e3o tinha filhos. Bom colega, correto funcion\u00e1rio. Devia contar na \u00e9poca quarenta anos. Para mim, o seu \u00fanico defeito, n\u00e3o quero julgar, era a doentia atra\u00e7\u00e3o pelos rabos de saia. O Sampaio est\u00e1 morto, e creio que n\u00e3o vou desonrar a sua mem\u00f3ria, narrando esse epis\u00f3dio que, de certa forma, faz-me lembrar dele com muita saudade e das alegres recorda\u00e7\u00f5es de nossa vida banc\u00e1ria.<br \/>\nCondenado pelas tradicionais e austeras fam\u00edlias, o que nada adiantou, o desenfreado modernismo j\u00e1 permitia \u00e0s garotas o uso de justas cal\u00e7as de homem, minissaias, ou tangas mal disfar\u00e7adas pelos vestidos transparentes. Abusavam elas da liberdade, n\u00e3o somente no carnaval, como nos bailes e nas pra\u00e7as p\u00fablicas, onde sempre se reuniam gulosos espectadores. Tudo isso o Sampaio aprovava com louvor e o deixava vinte anos rejuvenescido.<\/p>\n<p>II<br \/>\nUm domingo, \u00e0 tardinha, o Sampaio disse \u00e0 mulher que precisava de ir com urg\u00eancia ao Banco.<br \/>\n&#8211; E o que voc\u00ea vai fazer no banco, hoje, domingo? &#8211; estranhou a mulher.<br \/>\n&#8211; Amorzinho, amanh\u00e3 vai chegar Inspetor, e preciso deixar o dinheiro do cofre arrumado, sen\u00e3o, nem quero imaginar as consequ\u00eancias.<br \/>\nA mulher, bem desconfiada, simplesmente aceitou a justificativa e concordou:<br \/>\n&#8211; T\u00e1 bem, Sampaio. Pode ir, mas volte logo.<br \/>\nEsse Amorzinho do Sampaio era alta e pesava quase cem quilos, bem diferente dele na altura e no peso. O coitado do Sampaio vivia arquitetando desculpas para libertar-se alguns momentos da ciumenta e herc\u00falea mulher que o mantinha atado a seus p\u00e9s, como um indefeso cordeirinho. N\u00e3o o deixava sair de casa \u00e0 noite, a n\u00e3o ser em companhia dela. O hor\u00e1rio de ele ir ao banco e voltar para casa era rigorosamente controlado.<br \/>\nDa porta do pr\u00e9dio onde residiam, em dire\u00e7\u00e3o ao banco, o Sampaio caminhava lento, contando mentalmente os passos, at\u00e9 chegar aos cinquenta. Havia calculado, com exatid\u00e3o e sem nenhuma possibilidade de erro ou perigo que, daquele ponto em diante, estava livre da vigil\u00e2ncia da mulher que todos os dias do alpendre lhe fiscalizava cada movimento. Ultrapassados os cinquenta passos, limite de risco, o Sampaio sentia-se liberto do cativeiro e tomava a dire\u00e7\u00e3o que seu apurado faro sentisse perfume feminino.<br \/>\n&#8211; Cad\u00ea as meninas? Quero ver as meninas!<br \/>\nOs olhos sequiosos moviam-se ligeiros, buscando um rabo de saia para amenizar-lhe um pouco a tortura da rotina familiar. Apressado, rumou para o jardim, onde \u00e0quela hora da tarde costumavam desfilar belas mariposas.<br \/>\nSentiu fino perfume.<br \/>\n&#8211; Elas est\u00e3o voando. Est\u00e3o por perto. Apare\u00e7am logo, que tenho pouco tempo!<br \/>\nN\u00e3o durou muito, viu uma coisinha revestida de todas as formas femininas, um peda\u00e7o do caminho do para\u00edso.<br \/>\n&#8211; O qu\u00ea? Do para\u00edso ou de outro lugar? &#8211; perguntou a si mesmo, boquiaberto.<br \/>\nN\u00e3o lhe importava de onde tenha vindo. Era uma diabinha de coisa de dezoito anos, uma vampe, movendo os quadris \u00e0 direita e \u00e0 esquerda. Vinha sozinha no passeio \u00e0s vezes estreito para o seu cadenciado rebolar.<br \/>\n&#8211; Caramba! Que estou vendo? Eu n\u00e3o mere\u00e7o tanto assim! &#8211; exclamou o Sampaio, arregalando os olhos e esfregando as m\u00e3os, de contente.<br \/>\nA inocente garota passou triunfante por ele, sorrindo graciosa para a popula\u00e7\u00e3o masculina que se aglomerava na pra\u00e7a para apreciar o esguio corpo de cinturinha de vespa apertado com justa minissaia, acima, muito acima dos joelhos.<\/p>\n<div class=\"mom-members\" style=\"background-color:#ffe680;border-color:#cca300;color:#665200\">Conte\u00fado somente para assinantes. Por favor fa\u00e7a o login<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em pr\u00e9dio de dois andares, no centro da avenida, residiu por muitos anos o colega Sampaio com a esposa. N\u00e3o tinha filhos. Bom colega, correto funcion\u00e1rio. Devia contar na \u00e9poca quarenta anos. Para mim, o seu \u00fanico defeito, n\u00e3o quero julgar, era a doentia atra\u00e7\u00e3o pelos rabos de saia. 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