{"id":14379,"date":"2017-05-26T12:08:36","date_gmt":"2017-05-26T12:08:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/?p=14379"},"modified":"2017-05-26T12:08:36","modified_gmt":"2017-05-26T12:08:36","slug":"a-desforra","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/a-desforra\/","title":{"rendered":"A Desforra"},"content":{"rendered":"<p>Embora ainda revoltados com a velhacaria do turco Nicolau, tentamos esquecer a ideia de ter o nosso campinho. A turma, aos poucos, foi-se dispersando. N\u00e3o havia mais as peladas no meio da rua, nem se tocava no assunto.<br \/>\nRolaram os meses, dois, tr\u00eas, quatro.<br \/>\nNum domingo, de manh\u00e3, casualmente se encontraram alguns do nosso grupo. E conversa daqui e conversa dali, veio \u00e0 baila a transa\u00e7\u00e3o do terreno do turco Nicolau.<br \/>\n&#8211; Puxa vida! Faltava s\u00f3 fincar as traves, para terminar o campinho, e o raio do turco foi aprontar aquela patifaria com a gente \u2013 lamentou o Totonho.<br \/>\n&#8211; E por falar no turco, que tal uma visitinha \u00e0 ro\u00e7a de milho que ele plantou no terreno, depois que suamos para limpar? &#8211; prop\u00f4s o Basti\u00e3o.<br \/>\n&#8211; Boa ideia! Vamos agora mesmo?<br \/>\nPois eu n\u00e3o esqueci, nem vou esquecer t\u00e3o cedo &#8211; disse o Dito, sem ocultar a sua revolta.<\/p>\n<p>II<br \/>\nSentados nos dormentes da estrada de ferro, olh\u00e1vamos a ro\u00e7a de milho l\u00e1 embaixo a ocupar todo o pasto que t\u00ednhamos a ilus\u00e3o de transformar num campinho. Na terra descansada e gorda, o milho cresceu vi\u00e7oso. Os p\u00e9s na mesma altura e a cana engrossando por igual formavam um verde tapete que dava gosto ver. Os pend\u00f5es erguiam-se por sobre as largas folhas ca\u00eddas e ondulavam \u00e0 a\u00e7\u00e3o da mais leve brisa. As bonecas come\u00e7avam a granar.<br \/>\nEu repeti aos amigos as recomenda\u00e7\u00f5es do turco, receoso de n\u00e3o conclu\u00edrmos a limpeza antes das chuvas.<br \/>\n&#8211; Limpem direitinho o pasto. Depois, o pasto \u00e9 de voc\u00eas.<br \/>\nS\u00f3 muito tarde percebemos a raz\u00e3o de tanta bondade e empenho dele para a limpeza antes das chuvas.<br \/>\n&#8211; Nosso campinho? Nosso uma banana! &#8211; explodiu o Totonho, irritado, ao ouvir a repeti\u00e7\u00e3o das frases do turco Nicolau.<br \/>\nAfinal, \u00e9ramos ing\u00eanuos, desconhec\u00edamos as espertezas das pessoas grandes e desonestas. Jamais nos havia passado pela cabe\u00e7a que o turco ocultasse o prop\u00f3sito de utilizar o terreno, a n\u00f3s cedido de gra\u00e7a, logo o visse despojado de todo aquele lixo acumulado durante anos.<br \/>\nSoubemos que de manh\u00e3 costumava o Sr. Nicolau visitar o milharal, com a enxada nos ombros, detendo-se aqui e ali, a carpir o mato que se desenvolvia ao redor de um p\u00e9 e de outro. Muitas vezes, n\u00e3o resistia \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de apalpar as espigas mais gra\u00fadas, sem abrir-lhes as palhas, e percebia o sabugo ainda fino e liso.<br \/>\n&#8211; N\u00e3o tem gr\u00e3o. T\u00e1 cedo para apanhar \u2013 falava baixinho, de si para si.<br \/>\nSabedores da rasteira que o Sr; Nicolau nos passou, em tom de zombaria os seus conhecidos a mi\u00fado lhe perguntavam:<br \/>\n&#8211; Como est\u00e1 a ro\u00e7a de milho, Sr. Nicolau? Vai vender a colheita toda?<br \/>\n&#8211; Vender, n\u00e3o. Eu vou fazer pamonha e curau para mim comer com a fam\u00edlia.<\/p>\n<div class=\"mom-members\" style=\"background-color:#ffe680;border-color:#cca300;color:#665200\">Conte\u00fado somente para assinantes. Por favor fa\u00e7a o login<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Embora ainda revoltados com a velhacaria do turco Nicolau, tentamos esquecer a ideia de ter o nosso campinho. A turma, aos poucos, foi-se dispersando. N\u00e3o havia mais as peladas no meio da rua, nem se tocava no assunto. Rolaram os meses, dois, tr\u00eas, quatro. 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