{"id":14159,"date":"2017-05-12T12:15:22","date_gmt":"2017-05-12T12:15:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/?p=14159"},"modified":"2017-05-12T12:15:22","modified_gmt":"2017-05-12T12:15:22","slug":"historia-de-fim-de-semana","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/historia-de-fim-de-semana\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria de Fim de Semana"},"content":{"rendered":"<p>Naquele s\u00e1bado, a mulher, eu e os filhos fomos pescar. Cada qual levava o seu lanche, a vara de pesca e uma latinha com terra e minhocas. A certa altura do percurso, o Mauro, um dos maiores, perguntou:<br \/>\n&#8211; Pai, quando o senhor vai acabar aquela hist\u00f3ria?<br \/>\n&#8211; N\u00e3o me lembro bem dela. Onde mesmo que parei?<br \/>\n&#8211; Puxa vida, pai! O senhor j\u00e1 esqueceu? Os bandidos mascarados conseguiram amarrar o Mocinho, abrir a jaula e soltar o le\u00e3o faminto&#8230; T\u00e1 lembrado, agora?<br \/>\n&#8211; T\u00f4 sim! Caramba! Como fui deixar o Mocinho em perigo?<br \/>\nAs hist\u00f3rias eram inventadas durante o percurso. Por mais que fossem absurdas e desconexas, conseguiam prender at\u00e9 a respira\u00e7\u00e3o dos pequenos ouvintes, que chegavam a deter-se e a rodear-me, com os olhos arregalados, para escutar melhor cada palavra da narrativa. E eu, envaidecido com o entusiasmo deles, acrescentava novas e incr\u00edveis fa\u00e7anhas, t\u00e3o estapaf\u00fardias que a mulher, lan\u00e7ando-me olhares de censura, pedia-me que n\u00e3o abusasse tanto da ingenuidade das crian\u00e7as.<br \/>\nComo nas fitas em s\u00e9rie, eu sempre procurava interromper os epis\u00f3dios nos momentos de mortal perigo para o Mocinho.<br \/>\n&#8211; Ent\u00e3o, voc\u00eas querem mesmo ouvir o resto da aventura do Mocinho?<br \/>\n&#8211; Muita aten\u00e7\u00e3o. Vou continuar. O Mocinho ouviu urros que sacudiam as paredes do abandonado barrac\u00e3o, onde estava preso, e j\u00e1 sentia o mau cheiro da fera que vinha se aproximando. Amarrado com grossas correntes de ferro e ligadas as pontas com cadeado, o Mocinho se mexia e remexia, inutilmente, tentando soltar-se. O le\u00e3o olhava-o de longe e abria uma bocarra deste tamanh\u00e3o, passava a l\u00edngua nos bei\u00e7os mostrando as afiadas presas, como se quisesse dizer: \u201cdesta vez, voc\u00ea est\u00e1 no papo, Mocinho!\u201d<br \/>\nNessa altura da narrativa, relanceava os olhos para os filhos. A ca\u00e7ula, Marcinha, muito triste, perguntou:<br \/>\n&#8211; Pai, o le\u00e3o estava mesmo com muita fome?<br \/>\n&#8211; Sim. Estava morrendo de fome.<br \/>\n&#8211; Os covardes bandidos n\u00e3o queriam encrencas com a pol\u00edcia e, logo que conseguiram acorrentar o Mocinho e soltar o le\u00e3o, ca\u00edram fora, para n\u00e3o se comprometerem ainda mais com a Justi\u00e7a. \u2018Ora, n\u00e3o havia ningu\u00e9m por perto que pudesse soltar o Mocinho, que tinha tanta for\u00e7a e habilidade com armas e daria a vida, se necess\u00e1rio, para salvar as pessoas em apuros. Ah! Se ao menos ele estivesse com os bra\u00e7os livres, apenas com um murro de seus punhos de a\u00e7o poria o le\u00e3o a dormir por mais de uma semana.<br \/>\n&#8211; Tadinho do le\u00e3o! &#8211; exclamava baixinho a Marcinha. T\u00e1 com fome!<br \/>\nEu n\u00e3o me podia calar um instante para cobrar f\u00f4lego, que as crian\u00e7as reclamavam, brabas:<br \/>\n&#8211; Continue logo, pai! J\u00e1 n\u00e3o aguento mais! Estou molhado de suor, de tanto torcer pelo Mocinho&#8230;<br \/>\nEu lhes pedia que se calassem, para melhor concentrar-me. Na verdade, \u00e0quela altura, eu estava sem saber como salvar o Mocinho da enrascada em que o meti, preso com fortes correntes de ferro, e o le\u00e3o faminto preparando-se para a refei\u00e7\u00e3o especial, que at\u00e9 ent\u00e3o nunca tivera em vida \u2013 devorar um Mocinho. De repente, acudiu-me uma ideia salvadora e continuei:<br \/>\n&#8211; O Mocinho sempre tem muitos amigos em todas as partes do mundo. Ent\u00e3o, ele lembrou-se de invocar a ajuda de Flash Gordon, com quem estivera lutando, tempos atr\u00e1s no planeta Mongo, contra o tirano imperador Ming, que estava prestes a destruir a terra. Numa das batalhas, com risco de perder a vida, o Mocinho conseguiu salvar Flash Gordon da emboscada que lhe armou o cruel monarca, a qual certamente o teria levado \u00e0 morte.<br \/>\n&#8211; Ent\u00e3o, o Mocinho era amigo de Flash Gordon? &#8211; perguntaram, admirados.<\/p>\n<div class=\"mom-members\" style=\"background-color:#ffe680;border-color:#cca300;color:#665200\">Conte\u00fado somente para assinantes. Por favor fa\u00e7a o login<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Naquele s\u00e1bado, a mulher, eu e os filhos fomos pescar. Cada qual levava o seu lanche, a vara de pesca e uma latinha com terra e minhocas. 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