{"id":14094,"date":"2017-05-12T05:59:11","date_gmt":"2017-05-12T05:59:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/?p=14094"},"modified":"2017-05-11T12:01:21","modified_gmt":"2017-05-11T12:01:21","slug":"desfrute-dos-muitos-prazeres-de-portugal","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/desfrute-dos-muitos-prazeres-de-portugal\/","title":{"rendered":"Desfrute dos muitos prazeres de Portugal"},"content":{"rendered":"<h3>\u00c9vora a base perfeita para\u00a0explorar a regi\u00e3o sul do pa\u00eds<\/h3>\n<p>AE\/M\u00f4nica Nobrega<\/p>\n<p>As planas estradas do Alentejo desenham curvas suaves em meio a campos plantados de sobreiros e azinheiras. Ambas as \u00e1rvores s\u00e3o fundamentais na economia local. Da primeira \u00e9 extra\u00edda a corti\u00e7a, de que a regi\u00e3o \u00e9 a principal produtora no mundo, e a segunda d\u00e1 a bolota, um tipo de castanha que alimenta o porco preto e deixa a carne do animal ainda mais tenra e saborosa. Algumas poucas colinas baixas, chamadas ali de montes, ondulam a linha do horizonte, recobertas pelas videiras respons\u00e1veis por outro produto fundamental na regi\u00e3o: o vinho.<br \/>\nFoi exatamente para conhecer a produ\u00e7\u00e3o do vinho alentejano e as op\u00e7\u00f5es que ela oferece ao turismo que passei quatro dias na regi\u00e3o, no fim do outono europeu. Com o inverno pr\u00f3ximo, os parreirais come\u00e7avam a enferrujar suas folhas e caminhar para o estado de dorm\u00eancia. Nas adegas, que \u00e9 como Portugal chama os galp\u00f5es industriais onde se faz o vinho, as uvas da safra 2016 come\u00e7avam o processo de vinifica\u00e7\u00e3o. Enquanto isso, garrafas de 2015 chegavam \u00e0s lojas e mesas.<br \/>\nBeber, comer e contemplar \u00e9 o que se faz mais e melhor no Alentejo. As paisagens s\u00e3o largas; as cidades, pequenas, com constru\u00e7\u00f5es ora medievais, de pedra, ora caiadas, formando quarteir\u00f5es de casas brancas com telhados avermelhados. Os conventos chegaram a somar 48 no s\u00e9culo 19. Sobraram 22, e alguns dos pr\u00e9dios desativados para fins religiosos hoje s\u00e3o hot\u00e9is imersos em um charme hist\u00f3rico inspirador. Charmosos s\u00e3o tamb\u00e9m os hot\u00e9is que ficam dentro das fazendas, aqui chamadas de herdades, que costumam ter poucos quartos e colocam o h\u00f3spede para dormir entre vinhedos.<br \/>\nA cultura do vinho no Alentejo \u00e9 milenar, mas sofreu altos e baixos ao longo de sua hist\u00f3ria. No s\u00e9culo 17, a produ\u00e7\u00e3o local foi prejudicada pela decis\u00e3o do Marqu\u00eas de Pombal de proteger os vinhos do Douro, no norte do pa\u00eds. Mais tarde, o governo do ditador Salazar, nas d\u00e9cadas de 1930 a 1960, decidiu que as terras alentejanas deveriam produzir cereais, o que levou ao exterm\u00ednio da maior parte dos vinhedos. Por isso, vinhas antigas s\u00e3o raras &#8211; e quem as tem, como a Herdade do Rocim, onde vinhedos sobreviventes t\u00eam de 50 a 60 anos, divulga e cria r\u00f3tulos especiais a partir delas.<br \/>\nAs primeiras Denomina\u00e7\u00f5es de Origem Controlada (DOC), ou seja, certificados que atestam a qualidade do vinho e sua produ\u00e7\u00e3o de acordo com certos par\u00e2metros, foram regulamentadas em 1988: completam tr\u00eas d\u00e9cadas de exist\u00eancia no ano que vem. Existe ainda o selo Vinho Regional Alentejano, uma categoria mais abrangente que a DOC.<br \/>\nHoje, s\u00e3o cerca de 260 produtores de vinho nesta que \u00e9 a maior regi\u00e3o de Portugal, ocupando um ter\u00e7o do territ\u00f3rio continental do pa\u00eds. Est\u00e3o espalhados pelos distritos de Portalegre, mais ao norte, Beja, ao sul, e \u00c9vora, \u00f3tima para se hospedar por causa de sua localiza\u00e7\u00e3o central. \u00c9 preciso alugar carro para desbravar estas estradas, ou contratar servi\u00e7os privados de transporte caso a ideia seja apreciar as degusta\u00e7\u00f5es sem modera\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA cidade de \u00c9vora, a apenas 140 quil\u00f4metros de Lisboa, ganha pontos tamb\u00e9m pelos \u00f3timos restaurantes que tem. A cozinha alentejana \u00e9 farta e natural. Queijos e embutidos, chamados localmente de enchidos, aspargo, gr\u00e3o-de-bico, o j\u00e1 citado porco preto e o azeite de oliva s\u00e3o ingredientes locais t\u00e3o importantes quanto os campos, os sobreiros, as azinheiras e o pr\u00f3prio vinho na composi\u00e7\u00e3o do terroir alentejano.<\/p>\n<p>\u00c9VORA<br \/>\nTeve pastel de nata e queijada, dois t\u00edpicos doces conventuais, logo no primeiro caf\u00e9 da manh\u00e3 em \u00c9vora. Muito adequado para o ambiente: o restaurante da Pousada dos L\u00f3ios distribui suas mesas pelo claustro do antigo Mosteiro de S\u00e3o Jo\u00e3o Evangelista, transformado em hotel e elevado \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de monumento nacional.<br \/>\nPor esta e outras rel\u00edquias do centro hist\u00f3rico, \u00c9vora \u00e9 Patrim\u00f4nio Mundial da Unesco. Uma cidade-museu protegida por muralhas e por onde passa o Aqueduto da \u00c1gua da Prata, da primeira metade do s\u00e9culo 16. Que preserva, em meio \u00e0 arquitetura medieval portuguesa, um templo romano do s\u00e9culo 1.\u00ba, o Templo de Diana. E onde \u00e9 poss\u00edvel ver diante da principal igreja cat\u00f3lica, a Catedral de Nossa Senhora da Assun\u00e7\u00e3o, o ramo de oliveira, a cruz e a espada que formam o bras\u00e3o da Inquisi\u00e7\u00e3o, esculpido na parede de uma casa.<br \/>\nA Pra\u00e7a do Giraldo \u00e9 o marco zero de \u00c9vora e endere\u00e7o do centro de informa\u00e7\u00f5es tur\u00edsticas. As ruas t\u00eam cal\u00e7amento de pedras, e algumas s\u00e3o t\u00e3o estreitas que certos modelos de carros n\u00e3o passam. Resid\u00eancias s\u00e3o identific\u00e1veis pelos varais de roupas pendurados fora das janelas. Muitos im\u00f3veis s\u00e3o ocupados por lojas e restaurantes.<br \/>\nNa Igreja de S\u00e3o Francisco, a Capela dos Ossos tem 5 mil cr\u00e2nios incrustados nas paredes, fora os demais ossos humanos, formando um dos pontos tur\u00edsticos mais visitados da cidade. Os monges que criaram o lugar ainda acharam que a ideia precisava de legenda, e assim, sobre a entrada, colocaram a inscri\u00e7\u00e3o \u201cn\u00f3s ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos\u201d. Sobra para os guias de turismo tirarem a m\u00e1 impress\u00e3o, com a informa\u00e7\u00e3o de que o objetivo da capela \u00e9 lembrar a fragilidade da vida. \u00c9 uma tentativa.<br \/>\nA Adega Ervideira tem uma herdade a 30 quil\u00f4metros do centro de \u00c9vora. Mas \u00e9 poss\u00edvel degustar seus vinhos no centro hist\u00f3rico, na loja da marca. A Ervideira foi a primeira adega a fazer espumantes no Alentejo. Tem um vinho branco, o Invis\u00edvel, que \u00e9 absolutamente transparente, mas todo feito com uvas tintas E outro, o Conde d\u2019Ervideira, tinto, cujo envelhecimento em garrafa \u00e9 feito em uma represa, a uma profundidade de 30 metros, por 8 meses. Duarte Leal da Costa, propriet\u00e1rio, \u00e9 quem conta as hist\u00f3rias. O povo do vinho pode ser cheio de manias, afinal.<br \/>\nA 2 quil\u00f4metros do centro de \u00c9vora fica Quinta de Valbom, extens\u00e3o do Mosteiro da Cartuxa, onde se produz um dos vinhos portugueses mais conhecidos no Brasil. Trata-se do conceituado P\u00eara-Manca tinto, feito com as uvas aragonez e trincadeira, apenas nos anos de safra excepcional. No Brasil, uma garrafa de 2011 custa mais de R$ 2 mil.<br \/>\nA Cartuxa \u00e9 uma marca da Funda\u00e7\u00e3o Eugenio de Almeida, organiza\u00e7\u00e3o social que dedica metade dos lucros a projetos de Educa\u00e7\u00e3o e Cultura. Al\u00e9m dos vinhos, a funda\u00e7\u00e3o produz corti\u00e7a, legumes, cereais e azeite.<br \/>\nUma das etapas da visita tur\u00edstica, feita no pr\u00e9dio de 1580, consiste em treinar o olfato para perceber a complexidade dos aromas do vinho, por meio de ess\u00eancias aplicadas em tiras de papel, como se faz com perfumes.<\/p>\n<div class=\"mom-members\" style=\"background-color:#ffe680;border-color:#cca300;color:#665200\">Conte\u00fado somente para assinantes. Por favor fa\u00e7a o login<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9vora a base perfeita para\u00a0explorar a regi\u00e3o sul do pa\u00eds AE\/M\u00f4nica Nobrega As planas estradas do Alentejo desenham curvas suaves em meio a campos plantados de sobreiros e azinheiras. 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