{"id":13921,"date":"2017-04-28T11:57:41","date_gmt":"2017-04-28T11:57:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/?p=13921"},"modified":"2017-04-28T11:57:41","modified_gmt":"2017-04-28T11:57:41","slug":"o-grande-amigo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/o-grande-amigo\/","title":{"rendered":"O grande amigo"},"content":{"rendered":"<p>Sa\u00ed do cinema. Dez horas da noite. Esperei um pouco na esquina, na esperan\u00e7a de encontrar algum conhecido para um bate-papo. Como n\u00e3o apareceu ningu\u00e9m, rumei para casa. A caminho, vi o Rodrigues parado \u00e0 porta do bar do Caetano. Ele veio ao meu encontro e convidou-me para tomar um caf\u00e9. Aceitei.<br \/>\n&#8211; Sabe quem est\u00e1 na cidade? &#8211; perguntou-me.<br \/>\n&#8211; N\u00e3o posso imaginar. Quem \u00e9?<br \/>\n&#8211; Seu amigo Evaldo. Ali\u00e1s, hoje Dr. Evaldo. Ele concluiu o curso de Direito e voltou para ocupar a contadoria do banco. Soube agora h\u00e1 pouco.<br \/>\n&#8211; Puxa! Que boa not\u00edcia voc\u00ea me deu. Meu grande amigo Evaldo, hoje doutor e contador da ag\u00eancia do banco. Que satisfa\u00e7\u00e3o.<br \/>\n&#8211; Se n\u00e3o me engano, n\u00f3s tamb\u00e9m participamos com ele do mesmo concurso para ingresso no banco.<br \/>\n&#8211; \u00c9 verdade. Mas n\u00e3o fomos aprovados.<br \/>\nOuvi, tamb\u00e9m, que ao desembarque na esta\u00e7\u00e3o da Mogiana o Sr. Rui Almeida e a filha Marta o esperavam e seguiram diretamente para a resid\u00eancia deles. Disse-me, tamb\u00e9m, que correu o boato de que o Evaldo tencionava pedir a Marta em casamento.<br \/>\nSentia-me insone, aquela noite a cada instante, a figura do Evaldo cruzava meus pensamentos.<\/p>\n<p>II<br \/>\nNo dia seguinte, domingo, apressei-me a procurar o amigo. N\u00e3o fosse por ele, jamais me atreveria a bater \u00e0 porta do Sr. Rui, homem orgulhoso e carrancudo.<br \/>\nO Evaldo foi criado em casa humilde, como quase todas de nossa rua. Frequentamos a mesma escola prim\u00e1ria da D. L\u00facia. Um tio dele, casado e sem filhos, percebendo intelig\u00eancia e boa vontade no sobrinho, levou-o para educ\u00e1-lo em sua cidade. Nas f\u00e9rias escolares, o Evaldo visitava os pais e corria a procurar-me.<br \/>\n&#8211; Sabe, Juvenal, eu n\u00e3o quero voltar para o gin\u00e1sio \u2013 disse-me ele. J\u00e1 n\u00e3o suporto a falta dos amigos, especialmente de voc\u00ea, e da vida livre e divertida que eu tinha antes.<br \/>\n&#8211; N\u00e3o fa\u00e7a isso, Evaldo. Pense no futuro. Quem me dera ter tamb\u00e9m uma oportunidade dessas.<br \/>\nApenas um ano de col\u00e9gio bastou para modific\u00e1-lo. Tornara-se educado, vestia-se bem. Orgulhoso do progresso do amigo &#8211; por que n\u00e3o confessar certa inveja \u2013 em conversa, eu acrescentava sorrindo:<br \/>\n&#8211; N\u00e3o v\u00e1 esquecer os amigos, depois de formado, hem?<br \/>\n&#8211; Qual o qu\u00ea! Voc\u00ea \u00e9 meu amigo do peito. Amigos para sempre.<\/p>\n<div class=\"mom-members\" style=\"background-color:#ffe680;border-color:#cca300;color:#665200\">Conte\u00fado somente para assinantes. Por favor fa\u00e7a o login<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sa\u00ed do cinema. Dez horas da noite. Esperei um pouco na esquina, na esperan\u00e7a de encontrar algum conhecido para um bate-papo. Como n\u00e3o apareceu ningu\u00e9m, rumei para casa. A caminho, vi o Rodrigues parado \u00e0 porta do bar do Caetano. Ele veio ao meu encontro e convidou-me para tomar um caf\u00e9. 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