{"id":13494,"date":"2017-04-07T12:10:56","date_gmt":"2017-04-07T12:10:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/?p=13494"},"modified":"2017-04-07T12:10:56","modified_gmt":"2017-04-07T12:10:56","slug":"a-roca-de-milho","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/a-roca-de-milho\/","title":{"rendered":"A ro\u00e7a de milho"},"content":{"rendered":"<p>O milharal plantado no Rancho Fundo crescia abundante e vi\u00e7oso e j\u00e1 come\u00e7ava a embonecar. As crian\u00e7as brincavam ao redor dos p\u00e9s, contavam as espigas e a todo o momento perguntavam se j\u00e1 podiam apanhar algumas para cozinhar.<br \/>\n&#8211; N\u00e3o!<br \/>\n&#8211; S\u00f3 uma, pai! A gente divide ela com todos!<br \/>\n&#8211; Ainda \u00e9 cedo! Os gr\u00e3os est\u00e3o pequenos. Sua m\u00e3e vai fazer pamonhas e curau, como no ano passado. Est\u00e3o lembrados?<br \/>\nO seu Chico era propriet\u00e1rio de um s\u00edtio bem pr\u00f3ximo ao Rancho. Seu gado, n\u00e3o tendo o que comer no reduzido espa\u00e7o onde vivia confinado, um dia arrombou a cerca de arame farpado e espalhou-se ligeiro a pastar nas imedia\u00e7\u00f5es. Eram dez ou doze cabe\u00e7as. Livres e famintas, abocanhavam aqui e ali as tou\u00e7as mais verdes que encontravam. Quando deram com o verde milharal do Rancho, nada as segurou. Invadiram o quintal e comeram, e pisaram, e destru\u00edram n\u00e3o s\u00f3 o milharal como as planta\u00e7\u00f5es rasteiras.<br \/>\nAo amanhecer, demos com a destrui\u00e7\u00e3o. A princ\u00edpio, a natural revolta, os \u00e2nimos exaltados, Afinal, o que se cumpria fazer? Punir os culpados? E quem eram eles? Os animais tinham fome. Quanto ao sitiante&#8230; Ficaria bem mais barato e c\u00f4modo resolver amigavelmente a ocorr\u00eancia que demandar na Justi\u00e7a por mais polpuda pudesse ser a indeniza\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAquele ano, de nossa ro\u00e7a de milho, nem pamonha, nem curau, nem ao menos uma espiga de milho cozido ou assado.<br \/>\nMinha mulher, com aparente calma e indiferen\u00e7a, ap\u00f3s percorrer os olhos sobre o que restou, apenas me disse que ia levar as crian\u00e7as \u00e0 escola e depois almo\u00e7ar com algumas amigas.<br \/>\n&#8211; Esquisito! Muito esquisito mesmo! &#8211; estranhei.<br \/>\nA mulher n\u00e3o costumava levar desaforos para casa e parecia indiferente, como se nada houvesse acontecido.<\/p>\n<p>II<br \/>\nEra uma sexta-feira, clara manh\u00e3 de mar\u00e7o. A mulher ainda n\u00e3o havia voltado da cidade. Depois do almo\u00e7o, tomei um copo de vinho, peguei uma vara e fui pescar. Tantos cuidados com o milharal, recomenda\u00e7\u00f5es e at\u00e9 amea\u00e7as \u00e0s crian\u00e7as. Sem mais nem menos, ver tudo pisoteado.<br \/>\nSentado no barranco, \u00e0 sombra da mangueira, passei mais de hora sem perceber o menor movimento na ponta da vara. A sonol\u00eancia veio de mansinho, de mansinho. A fresca sombra da mangueira era irresist\u00edvel tenta\u00e7\u00e3o ao repouso prolongado e regenerador de que eu mais precisava no momento. Espetei a vara no barranco, firmei-a bem para n\u00e3o desprender-se e recostei-me ao tronco da \u00e1rvore&#8230;<\/p>\n<div class=\"mom-members\" style=\"background-color:#ffe680;border-color:#cca300;color:#665200\">Conte\u00fado somente para assinantes. Por favor fa\u00e7a o login<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O milharal plantado no Rancho Fundo crescia abundante e vi\u00e7oso e j\u00e1 come\u00e7ava a embonecar. 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