{"id":11870,"date":"2016-12-09T05:12:53","date_gmt":"2016-12-09T05:12:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/?p=11870"},"modified":"2016-12-08T12:13:47","modified_gmt":"2016-12-08T12:13:47","slug":"a-surpreendente-historia-de-sao-roque-regresso","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/a-surpreendente-historia-de-sao-roque-regresso\/","title":{"rendered":"A surpreendente hist\u00f3ria de S\u00e3o Roque Regresso"},"content":{"rendered":"<p>Podemos dizer que a hist\u00f3ria de S\u00e3o Roque Regresso come\u00e7ou em 1881. Foi nesse ano que o casal Jos\u00e9 Le\u00f4ncio Gut e Josefa Von Fl\u00fce, pais de Maria Gut, e Jos\u00e9 Ambiel e Ana Maria Sh\u00e4li, pais de In\u00e1cio Ambiel, chegaram no Brasil, vindos da Su\u00ed\u00e7a, de onde sa\u00edram com coragem impulsionada pela f\u00e9, na esperan\u00e7a de encontrar em terras brasileiras a prosperidade que a terra-m\u00e3e j\u00e1 n\u00e3o proporcionava.<br \/>\nMaria Gut casou-se com In\u00e1cio Ambiel e um dos filhos, nascido nessa nova realidade &#8211; a Col\u00f4nia Helvetia &#8211; foi batizado como Eduardo Ambiel.<br \/>\nEm 1927 o casal mudou-se para um s\u00edtio em Indaiatuba comprado pela fam\u00edlia de Maria Gut &#8211; que ficou vi\u00fava com 11 filhos. O s\u00edtio era chamado S\u00e3o Miguel, uma extens\u00e3o de terra que somava quase 100 alqueires, que ia do cemit\u00e9rio da Candel\u00e1ria ao Jardim Morumbi (sentido sul\/norte), pegando toda a extens\u00e3o de onde hoje \u00e9 a Vila Su\u00ed\u00e7a, incluindo a Mata do Parque Ecol\u00f3gico; a porteira ficava onde hoje \u00e9 a rotat\u00f3ria do Pastel da Feira.<br \/>\nFoi ali que Eduardo Ambiel e Josepha Von Zubem, que j\u00e1 tinham o filho Jos\u00e9 Ign\u00e1cio, nascido em Helvetia, tiveram outros rebentos: primeiro, Terezinha. Nasceu depois Fl\u00e1vio, Lino Atan\u00e1zio, Eduardo J\u00fanior, Sim\u00e3o Luiz, Waldemar, Maria de Lourdes, Maria Apparecida, Cec\u00edlia, Ruth, Jo\u00e3o Tadeu e Bernadete. Eram 13 filhos para criar.<br \/>\nA rotina do trabalho era dura: o uso de adubos qu\u00edmicos comprados era raro; o instrumental continuava sendo a enxada, foice e cavadeira, e quando a terra ficava improdutiva o \u00fanico m\u00e9todo de recupera\u00e7\u00e3o era o rod\u00edzio.<br \/>\nA f\u00e9 sempre foi referenciada em todas as hist\u00f3rias contadas pelos su\u00ed\u00e7os: cr\u00f4nicas, livros, relatos de mem\u00f3ria oral, todos fazem refer\u00eancia \u00e0 import\u00e2ncia da religi\u00e3o cat\u00f3lica para a consolida\u00e7\u00e3o da Col\u00f4nia Helvetia e para a uni\u00e3o dos helvetianos em uma comunidade essencialmente pac\u00edfica. E essa f\u00e9 direcionou um grave problema que colocou em risco a sustentabilidade dos neg\u00f3cios de Eduardo Ambiel na d\u00e9cada de 1930.<br \/>\nFoi exatamente em 1934. Uma peste come\u00e7ou silenciosamente ceifando a vida de alguns su\u00ednos. Logo come\u00e7ou a se espalhar. Como avaliar e tratar corretamente uma peste naquela \u00e9poca, sem acesso a veterin\u00e1rios, exames e rem\u00e9dios corretos? Eduardo n\u00e3o teve d\u00favida: foi consultar o vig\u00e1rio da Par\u00f3quia de Nossa Senhora da Candel\u00e1ria, o padre Luiz Soriano. Cat\u00f3lico fervoroso, precisava de uma diretriz para salvar a cria\u00e7\u00e3o de su\u00ednos.<br \/>\nEm 1932 o padre Soriano havia dado in\u00edcio a um processo de reforma na Matriz: removeu o assoalho velho de madeira e substituiu-os por mosaicos de cimento, colocou lustres, instalou ilumina\u00e7\u00e3o no altar-mor e aumentou a ilumina\u00e7\u00e3o dos altares da Imaculada e de S\u00e3o Jos\u00e9. Dos lados, haviam os nichos, sendo que do lado direito j\u00e1 tinha um santo.<br \/>\n&#8211; Ore muito, pe\u00e7a para S\u00e3o Roque, protetor dos bichos contra doen\u00e7as contagiosas. Ele vai te aben\u00e7oar.<br \/>\nA cren\u00e7a na sua f\u00e9 era tamanha, a certeza que sua prece seria atendida era tal, que Eduardo j\u00e1 perguntou para o padre qual seria o tamanho da imagem de seu \u2018salvador\u2019 que ele teria que doar para preencher o nicho. Os dois mediram a imagem de Santa B\u00e1rbara com um barbante \u2013 que estava do lado direito &#8211; ela tinha cerca de 80 cm. Foi, ent\u00e3o, Eduardo para Campinas de \u00f4nibus, na casa de Dom Neri com o peda\u00e7o de barbante, solicitando indica\u00e7\u00e3o para a confec\u00e7\u00e3o da imagem de S\u00e3o Roque que, encomendada, viria do Rio de Janeiro.<br \/>\nA imagem foi doada \u00e0 Igreja Nossa Senhora da Candel\u00e1ria, onde ficou no nicho at\u00e9 o final da d\u00e9cada de 1960, quando o ent\u00e3o p\u00e1roco, o padre Herm\u00ednio Bernasconi, engajado na ent\u00e3o chamada linha progressista da igreja cat\u00f3lica ap\u00f3s o Conc\u00edlio Vaticano II, fez mudan\u00e7as radicais na Matriz. Uma delas, a retirada das imagens em atendimento ao \u2018Cristocentrismo\u2019. Todas as imagens foram colocadas para fora da igreja, literalmente \u2018jogadas fora\u2019, menos a de Cristo e da padroeira. A fam\u00edlia Ambiel achava que a hist\u00f3ria de S\u00e3o Roque havia terminado a\u00ed.<br \/>\nDepois de muitos anos, em uma conversa corriqueira, uma das filhas de Eduardo Ambiel, a Maria Apparecida, contou essa hist\u00f3ria para sua empregada dom\u00e9stica Benedita Sampaio. Ela juntou a hist\u00f3ria da patroa com outra hist\u00f3ria que sua m\u00e3e \u2013 Benedita &#8211; contava, que havia pego uma imagem na porta da igreja, como tantas outras pessoas fizeram, e levara para casa. Era S\u00e3o Roque que, ap\u00f3s um tombo, estava aos cacos, debaixo de um abacateiro. Sua m\u00e3e n\u00e3o havia tido coragem de jogar os cacos fora.<br \/>\nMaria Apparecida e a irm\u00e3 Terezinha foram at\u00e9 a casa dela. D. Benedita j\u00e1 havia falecido, mas os cacos de S\u00e3o Roque, estes estavam l\u00e1, sob sol e chuva, nas intemp\u00e9ries de nossa Indaiatuba. As irm\u00e3s pegaram os caquinhos e entregaram para o restaurador Jo\u00e3o Colalillo, que com t\u00e9cnica e capricho, refez a imagem.<br \/>\nEla foi dada de presente para o Eduardo quando ele fez 80 anos em 27 de setembro de 1981. As irm\u00e3s lembram muito bem a express\u00e3o emocionada do pai, que faleceu em 7 de maio de 1988.<br \/>\n&#8211; Ser\u00e1 que \u00e9 o Roque?<br \/>\n&#8211; O meu S\u00e3o Roque?<br \/>\nE at\u00e9 hoje, a filha mais nova, Bernadete Ambiel, guarda na sua casa, com devo\u00e7\u00e3o, a imagem de S\u00e3o Roque Regresso, que testemunhou n\u00e3o s\u00f3 a f\u00e9 de seu pai, mas a hist\u00f3ria de luta e perseveran\u00e7a de muitas gera\u00e7\u00f5es da fam\u00edlia.<br \/>\nOs su\u00ednos? Sim. Nenhum mais morreu ap\u00f3s a ora\u00e7\u00e3o de f\u00e9 de Eduardo Ambiel.<\/p>\n<p>Eliana Belo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Podemos dizer que a hist\u00f3ria de S\u00e3o Roque Regresso come\u00e7ou em 1881. 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