{"id":11279,"date":"2016-11-04T10:17:21","date_gmt":"2016-11-04T10:17:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/?p=11279"},"modified":"2016-11-04T10:17:21","modified_gmt":"2016-11-04T10:17:21","slug":"o-cao-e-o-ceguinho-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/o-cao-e-o-ceguinho-2\/","title":{"rendered":"O C\u00e3o e o Ceguinho"},"content":{"rendered":"<p>Descor\u00e7oado de vagar pelas ruas atr\u00e1s de servi\u00e7o, o engraxate Dudu sentou-se num banco da pra\u00e7a para descansar. Como de costume, tinha os olhos a reparar nos sapatos das pessoas que passavam.<br \/>\n&#8211; Uma graxinha, a\u00ed, Doutor? R\u00e1pida e caprichada!<br \/>\nA poucos metros, viu atravessar a rua, a passos lentos, um menino e seu c\u00e3o, lado a lado. O menino era cego e aparentava a idade de 15 anos. O c\u00e3o j\u00e1 bem velho. Ningu\u00e9m tomou conhecimento da chegada desses \u2018ilustres\u2019 visitantes \u00e0 cidade. Tamb\u00e9m, nada importava que viesse juntar-se outra mais \u00e0s tantas mis\u00e9rias j\u00e1 existentes. Acaso algu\u00e9m indagou de onde vieram, ou para onde iam? N\u00e3o! Ningu\u00e9m mesmo!<br \/>\nO menino cego suplicava em alta voz:<br \/>\n&#8211; \u00d3 boa gente, onde fica a Santa Casa? Estou muito doente &#8211; implorava ele a esmo, sem ao menos saber se algu\u00e9m o estava ouvindo. Tupi! Tupizinho! N\u00e3o me abandone, amigo!<br \/>\nDudu levantou-se do banco e correu em aux\u00edlio do Ceguinho:<br \/>\n&#8211; Eu levo voc\u00ea \u00e0 Santa Casa, amigo! Segure o meu bra\u00e7o!<br \/>\nE l\u00e1 foi Dudu, a caixa de engraxate nas costas, rua fora, conduzindo o cego. Pouco atr\u00e1s, seguia-os o c\u00e3o Tupi.<br \/>\nNa Santa Casa, alojaram o Ceguinho num cub\u00edculo escuro, examinaram-no \u00e0 pressa, deram-lhe algum medicamento e o esqueceram. Apenas uma freira, apiedando-se dele, a todo o momento estava a seu lado:<br \/>\n&#8211; Qual o seu nome, filho?<br \/>\n&#8211; Lu\u00eds. Mas s\u00f3 me chamam de \u2018O Ceguinho\u2019.<br \/>\n&#8211; Onde moram seus pais, Lu\u00eds? De onde veio voc\u00ea?<br \/>\n&#8211; N\u00e3o conheci meus pais. N\u00e3o sei bem de onde venho, nem onde estou, nem para onde vou.<br \/>\nO pobrezinho a nada sabia responder, nem se lembrava de sua vida pregressa, ou se a teve. Amor, carinho, se os recebeu um dia, quem lhos deu foi seu \u00fanico amigo &#8211; o c\u00e3o Tupi. M\u00e3os humanas jamais o haviam acarinhado. Permanecia mudo, os olhinhos sem brilho fixos na freira, sem entretanto poder ver esse anjo que o velava e protegia.<br \/>\nEra noite quando a enfermeira veio avisar que havia terminado o hor\u00e1rio de visitas.<br \/>\n&#8211; Amanh\u00e3 eu volto, Lu\u00eds!<br \/>\n&#8211; Deus lhe pague, meu bom amigo!<\/p>\n<div class=\"mom-members\" style=\"background-color:#ffe680;border-color:#cca300;color:#665200\">Conte\u00fado somente para assinantes. Por favor fa\u00e7a o login<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Descor\u00e7oado de vagar pelas ruas atr\u00e1s de servi\u00e7o, o engraxate Dudu sentou-se num banco da pra\u00e7a para descansar. Como de costume, tinha os olhos a reparar nos sapatos das pessoas que passavam. &#8211; Uma graxinha, a\u00ed, Doutor? R\u00e1pida e caprichada! A poucos metros, viu atravessar a rua, a passos lentos, um menino e seu c\u00e3o, &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[33],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11279"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11279"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11279\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11280,"href":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11279\/revisions\/11280"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11279"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11279"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.jornalexemplo.com.br\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11279"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}